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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apoteose estatal

Na aurora desta terça-feira, oito de novembro de dois mil e onze - sim, onze - a Polícia Militar do Estado de São Paulo em maçante comboio chegou à Reitoria da Universidade de São Paulo para cumprir uma ordem judicial de remoção dos estudantes que a ocupavam, em protesto, há uma semana. Quatrocentos homens excessivamente armados, seguidos por cinquenta viaturas, um esquadrão anti-bombas, anti-discurso, anti-razão, um helicóptero, grupamentos de operações especiais e "caveirões", foi o aparato que o Estado considerou como ideal e proporcional para a retirada de estudantes em causa universitária do prédio da reitoria. MENOS DE UMA SEMANA. A resposta do reitor da USP aos protestos, o seu "diálogo" e o seu interesse em discutir as reivindicações seriamente e dirimir o conflito - cuja causa é, sim, urgente e seguramente relevante - veio com uma Ação de Reintegração de Posse movida em face dos estudantes e com liminar cumprida, tudo isso em menos de sete dias. Resolvida toda aquela balbúrdia. E o Poder Judiciário? Moroso, lento... para quem? quando resolve o quê? Ante à maior celeridade quando o litígio envolve posse ou propriedade - ah, a propriedade... -, a resposta do órgão judiciário foi instantânea, ou melhor já estava decidida antes da sua provocação. Prédio reintegrado, setenta e tantos estudantes detidos e à espera de um indiciamento. As reivindicações saem de foco, a autonomia universitária... bem, ela já não estava lá, mesmo. A criminalização estudantil só ganha força. Os estudantes algemados - por notoriamente terem resistido e oferecerem grave ameaça à ação policial, composta por quatrocentos policiais - são tratados na mídia como badernistas, militantes sem causa, drogados e farristas, alimentando a massa que a assiste, lê e ouve. Com o apoio dos maiores grupos de comunicação, únicos acessados pela maioria dos brasileiros, todo o caso que começou lá atrás a ação truculenta contra três jovens que supostamente estariam consumindo maconha, quarenta anos após a invasão da PM à USP, vem sendo engolido como mais um ato de uma fase rebelde "aideológica". É o orgasmo da velha direita paulista que cerca um dos últimos feixes de pretenso movimento estudantil de esquerda no estado. Com direito à declaração do governador de que os estudantes devem aprender sobre democracia... sim, Alckmin, falando em aprender democracia, viva o Partido da SOCIAL DEMOCRACIA! (como a história mesmo confirma). E morte aos movimentos sociais e estudantis que trouxeram "de volta" essa ambígua democracia em 1984/5. Antes vivêssemos declaradamente alá George Orwell.



"Nada de novo no front
E na retaguarda também"




Continua...

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