Pesquisar este blog

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cordas

um canto em teias
tecendo olhares
a admirar
o assobio do oriente

teias sonoras
que prendem o ar
e soltam mentes a viajar
na condução de desejos
que flutuam na onda
de um assobiar

sábado, 1 de fevereiro de 2014

uma noite dessas

Que timbre, Tim
Noite sem par
Deitada em copo de vinho
Acordo com o tinto

Embalo esse funk, esse soul
É pra sobrepor qualquer abstração
Desse irritante e silencioso caos
Que me põe a teorizar em mililitros

Tim reclama, tá ali, prevê
Um dia chegamos lá
Ele lá, eu cá
Vou aqui sonoramente brindar

Cabe esse pedido, Félix
Que recurso foi esse?
Pena, não. Direito que pena
Direito de apelar, vá lá

Apele, Félix
Mais vinho no pedido
Pena que
"Concentre-se" é o dispositivo


sábado, 4 de janeiro de 2014

façamos

vem o mar
me abraça sorrateiramente
como quem se faz desconfiar
mas o recado é de suportar
tornar leve o desgosto
por essa materialidade

no desarranjo dos dias destes anos
que começam sem ter havido qualquer término
de multicalendários sobrepostos
e igualmente déspotas,
unam-se as forças de resistência

pois é preciso enfrentar
não temer
nem o tempo, nem as horas,
nem a sequência de indiferentes pores-do-sol

na espiritualidade do mar que nos navega
transcendendo para se manter atento e forte
de certo que o tempo é de muitas lutas
e isso não haverá de se negar

aproveite-se, então, a falsa virada
para fazê-la verdadeira
inverter essa tola ordem
pois se o que se quer é subversivo
que soterremos o ora posto, o sempre imposto
e que amanheça, sim, uma desordem

na transformação simples
e radiante de uma manhã
façamos da rua quintal
do palco a pista
de tudo uma só conquista