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sábado, 4 de janeiro de 2014

façamos

vem o mar
me abraça sorrateiramente
como quem se faz desconfiar
mas o recado é de suportar
tornar leve o desgosto
por essa materialidade

no desarranjo dos dias destes anos
que começam sem ter havido qualquer término
de multicalendários sobrepostos
e igualmente déspotas,
unam-se as forças de resistência

pois é preciso enfrentar
não temer
nem o tempo, nem as horas,
nem a sequência de indiferentes pores-do-sol

na espiritualidade do mar que nos navega
transcendendo para se manter atento e forte
de certo que o tempo é de muitas lutas
e isso não haverá de se negar

aproveite-se, então, a falsa virada
para fazê-la verdadeira
inverter essa tola ordem
pois se o que se quer é subversivo
que soterremos o ora posto, o sempre imposto
e que amanheça, sim, uma desordem

na transformação simples
e radiante de uma manhã
façamos da rua quintal
do palco a pista
de tudo uma só conquista


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