Com a malícia habitual, ela se reaproximou
Soltou os cabelos, botou aquela camisa
E chegou falando triste das coisas,
meio desanimada e levemente chateada
Totalmente manipulado, ele caiu no papo
Conversou sobre a vida e falou do futuro
Mas falou por falar
Não conseguia tirar o pensamento do jeito dela:
Sutil e muito forte
Autêntico e indefinido
Simpaticamente apaixonante
E os olhinhos dela? Brilhavam só por graça
Aqueles braços cruzados passavam segurança
Mas a cabeça meio caída prum lado revelava alguma incerteza
Seus lábios,quando ele os viu, não mais parou de admirar
Faziam biquinho durante a fala
Faziam biquinho até com a boca calada!
De forma singela e com certo ar subversivo
Quando ele se ligou,
Ela já falava de Elis
E, sem saber onde ela queria chegar,
Fingiu sabê-lo
Aí ela falou de um som que ia rolar
Ele disse que ia colar
E, distraído, pensou ter ouvido "vamos"
Então, sem sorrir, sorriu
Ela retribuiu o sorriso
Daquele seu jeito
E cheia de manha
Disse um "até", chegou mais
e o beijou na pontinha bochecha
só para se despedir
O rapaz, bobo pelo momento, ingênuo pela vida,
ficou, então, confuso.