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sexta-feira, 17 de abril de 2015

O triste fim da seletividade


Tenório passou a vida crendo que pena resolvia e que prisão ressocializava.

Trabalhou duro, ganhou pouquíssimo. Mas serviu à sociedade. É o pensamento, ainda que contestado pelo inconsciente, mas inafastável de tanto que convém à sanidade da mente.

Teve boas intenções. Onde tortura reinava, e era aplaudida, carrasco não intentou ser.
Queria era aplicar a lei e alimentar suas crenças que martelavam naquele sistema.

Sua função pouca gente nesse mundo gostaria, nenhuma autoridade valorava, a não ser pela hipocrisia do bem comum. Seus chefes eram gente fina, que não suja suas mãos para aplicar sua ideologia suja. Mas para todos os efeitos era para o bem da sociedade.

Tenório era o escudo daquele sistema. Quem tomava a primeira facada nas erupções previsíveis daquele vulcão que é a prisão.

E para assegurar tamanhos direitos da sociedade, este senhor ia fraquejando nos seus. Eram tantas violações...

Do subúrbio nunca saiu, da subordinação também não... aquela que curiosamente ele tinha que impor aos presos.

No sufoco ao se deslocar na cidade pra onde nenhuma sociedade quer ir, mas de lá esperaram sua segurança do lado de cá.

E depois de décadas nessa exploração, além de tudo, mental, nada mudou.
Resolveu nada pra ninguém.

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