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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O limiar da amizade.

Tem pessoas que você vê e nem conhece,
não vê e conhece,
não vê e não conhece, mas 'conhece'.
A tangicidade dos mundos alheios tem dessas coisas.
Você vive 15, 20 anos em um lugar encontrando as mesmas pessoas, geralmente nas mesmas ocasiões, e o máximo que se sabe de muitas é o rosto que se familiariza pelo tempo ou pela rotina.
A rotina. Ela também faz com que as grandes amizades se tornem simples conhecidos, ou até ex-colegas. Ou faz com que os desconhecidos se tornem pessoas inseparáveis nos incríveis e nos chatos dias do dia-a-dia.
Tem pessoas que nunca saem de desconhecidos. Apesar de estar, sem você notar, ou não, na sua rotina. E se saíssem?
O que determina, no acaso, no destino, ou nada disso, que as pessoas que você vai conhecer serão 'aquelas' ou 'estas'? Às vezes começa de uma situação vivida por você e pela outra pessoa, ou de um simples bom-dia, ou então um pedido de informação... ou o mero fato de estarem num mesmo lugar, convivendo.
Mas pra tudo isso já é sabido que não tem explicação e, pra mim, divagar sobre seria desnecessariamente desgastante.
Onde quero realmente chegar é no fato concreto que envolve tais situações em que se forma ou se perde (eu falei não divagar...) uma amizade. Mais precisamente: depois que você já as fez, elas se fortalecem, te trazem momentos inesquecíveis, marcam fases, passagens suas em lugares ou época, ou marcam suas vidas, até. O que queria saber é por que sempre tem um 'fim', que não é o referido às imprevistas fatalidades [ou não] que, a cumprir a lei mais certa da natureza, levam deste mundo a todo momento milhares de desconhecidos e conhecidos. Mas, sim, o causado pelas (des)rotinas, pelas mudanças de localidades, mudanças de trabalho, mudanças de afezeres, mudanças de gostos, mudanças de humor, mudanças de pensamentos.
Que lei é essa, que de tão certa, se assemelha às da física, e que parece impor, que as pessoas que você aprende a gostar, ou que já gostou desde quando viu, que você passou a confiar, no sentido mais estrito da palavra, tendem, como o infinito tende a zero, a destornarem-se receptoras de tais relativos a afastar-se da mesma repentina forma como vieram, ou pelas inúmeras oscilações comportamentais do frágil ser humano, que mesmo quando se acha certo, se deixa levar pelo erro do outro, complicando as relações, e que deixa, tão facilmente, de acreditar naqueles que eram amigos (sentido sempre estrito) e para o qual atribuiu tantos dizeres e significados que, como a rocha pelas águas e pelo ar, são intemperizados, esfarelam-se tais ditos elogios?
É triste ver quem você já chamou de amigo não ser tratado mais como um, por motivos, às vezes, fúteis, ou pela primeira provação que o tempo ou o espaço te fizeram passar.
Fisicamente, pode ser difícil, sim, manter algumas pessoas sempre por perto. Nesse caso, as próprias idas, vindas e voltas da vida decidem o caminho das pessoas, tornando aceitável a tal lei falada acima. Mas a contestação desta se dá em outro plano. As verdadeiras amizades (não que o que se viveu das outras não foi verdadeiro, mas que o laço firmado foi de sincera amizade) se revelam quando as vidas que seguiram rumos diferentes não conseguem diminuir o valor, nem o significado, nem as lembranças.
Quando a bifurcação da rotina afasta a comodidade e o hábito da afeição que a rotina em conjunto trazia aos que sempre  estariam juntos, já que eram os mesmos lugares e horas a cumprir, é que se determina se a amizade construída de fato foi, ou simplesmente 'tenderá' a 'esfarelar-se' pelos amargos e, às vezes, injustamente cruscificados, tempo e espaço, tornando-se em um antigo conhecido ou quem sabe um ex-colega.

Que eu é esse?

E se um dia comigo
você se magoar
E dos meus defeitos, enjoar
Eu te conquisto quantas vezes for preciso
Só pra atestar
que sem você
Bem eu não vivo

E me pergunto se com este pobre sincero
tu podes de fato se zangar
e se esquecer, meu bem,
que eu bem te quero
e que ao seu lado
eu sempre vou estar

Nada que desafine, que destoe
nossa linda, nossa bela sintonia
mudará em mim
o encanto e a alegria
que surgiu quando o brilho de seu primeiro olhar
fez pra sempre o meu se apaixonar

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Gosto seu.


Um dia voltaremos para aquele lado que omitimos termos vindo,
Um dia correremos para aquele lado que nunca cogitaríamos,
Um dia pararemos e veremos (ou não) o que não deu pra ver durante a corrida,
E talvez perceberemos que precisamos do que porventura não atrai:
Mas, por que não, distrai?

domingo, 31 de outubro de 2010

Jovem ainda...


    O jovem, desiludido, chega a um bar vazio e sombrio, pega uma bebida e senta numa mesa ao fundo.  Com o olhar para o infinito, mal toca na bebida. Um velhinho sujo, mal cuidado e de poucos dentes, mas muita simpatia, também só, na mesa ao lado, sorri enquanto vira copos e copos de pinga. O jovem, então, decide ir até lá. Chega sem falar nada. Senta-se de frente pro desdentado sorridente e, depois, diz:
    - Comemorando o quê, senhor? - em tom irônico.
    - Eu, viúvo, sem filhos, sem trabalho, sem casa, sem banho, e velho, comemorando?
    - Se não comemoras, o que..
    - Tô só de passagem... – respondeu, desta vez cético.
    - Mas com tantos sorrisos ao beber assim só, neste bar mais depressivo do que os que aqui vêm afogar-se?
    - Nunca se está só quando ainda não se perdeu a simpatia. Ela tá aí?
    - Ela, quem?
    - A sua...
    - Ah, não. Foi embora, faz tempo. Como tudo que eu tinha. – falou o jovem, com convicção.
    - O que você tinha?
   - Amigos, namoradas, carros, família... Tudo. Mas e você, o que tem além da simpatia?
   O velhinho levantou, foi até a entrada do bar, pegou um caderno surrado nas suas tralhas que lá estavam e voltou:
    - Aqui tem tudo de bom que já passei... fotos, histórias, memórias, viagens e até as contas de banco que já tive.
    - Sim, mas o que tem de verdade? O que te faz seguir com tua simpatia? - perguntou o já incomodado jovem.
    - Eu tenho a certeza de olhar pra trás e ver que na sua idade e no dobro dela, eu aproveitei tudo que pude, vivi com as melhores pessoas, tive os melhores presentes e fui pra onde quis ir. – disse-lhe, sério.
     - Do que adianta, se hoje está assim, no lixo e sem nenhuma pessoa?
    - Não me importa. Não quero mais nada da vida. Tomar pinga e ver que fui mais feliz que todos de pouca e meia idade que passam neste bar, já me deixa à espera de uma morte que só vai recompensar essa alma tranquila e cansada.
   Antes que o jovem pudesse exprimir seu sentimento contrário à provocação de um mendigo filosófico, o velho pôs a mão em seu ombro, e com outra deu-lhe o caderno que tinha pego.
   -  Toma. Pega as folhas em branco e viva-as direito. Ainda dá tempo de compensar toda a fraqueza dessa juventude viril, que nunca existiu. Um ano bem vivido nessa velhice imunda é mais valioso que uma juventude pausada por ilusões esquecidas numa mesa de bar.
   - Olhe, meu velho, o seu discurso é muito bonito, mas a vida não é fácil assim pra quem foi injustamente alvo de todas as tragédias que a vida pôde lhe oferecer. - com isso, o jovem voltou à sua mesa, arrependido de ter começado aquela conversa. Entornou seu copo, foi até o balcão, deixou o dinheiro e seguiu à porta, alterado. Fora um completo idiota indo até à mesa do velho e ouvindo tudo aquilo que não queria.
   O velho, decidido, chamou-o, em tom de voz mais elevado:
   - Amigo, faltou só um coisa. Deixa-me dizer.
   O jovem parou e olhou pra trás.
    - Na verdade, eu nunca fui feliz, nunca tive nada do que lhe falei. - falou o velho com a voz pesada e aparentemente muito sincera.
    O jovem, confuso e sem muita paciência, quis entender:
    - E por que me fizeste ouvir tanta história falsa, judiando do que restou da minha paz?
    - Há meses eu venho aqui neste bar com um objetivo que nunca realizei... Mas, mesmo com todas as suas decepções, creio que você me deu uma esperança de que hoje eu poderei voltar ao leito do qual fugi, do outro lado da cidade.
    - Aonde o senhor quer chegar, afinal?
    - Pega esse caderno aqui. A capa já até se desprende, mas por dentro tá inteiro...
     O velho andou até o jovem e lhe deu o caderno, visivelmente emocionado:
     -  É sobre minha vida, sim. O detalhe é que ele ainda tá vazio... e nem saúde eu tenho mais... Escreva aqui o que vai começar hoje.






quarta-feira, 6 de outubro de 2010

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O pinto pia.
 
A pata poa.


Pão.

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Melhor que tá fica?

     Meus companheiros, nunca antes na história desse país... rsrs
   
     É, a eleição passou, exemplarmente democrática, apesar das propagandas e marketings que hoje contaminam o processo eleitoral. Mesmo com a eleição a Presidente indo ao segundo turno, os números de Dilma por estado são realmente significativos. E nas regiões, Serra só ganhou em uma. Muito difícil Serra vencer o segundo turno, creio, mas só de ter um segundo turno já fico feliz. Parafraseando Marina, não queria que a eleição fosse um plebiscito (como foi aqui na Bahia). Serra e o PSDB agora vão se rastejar pelo apoio de Marina e do PV: já se especula até o nome de F. Gabeira como seu novo vice - risos. Apesar de o PV já ser aliado do PSDB no RJ, em SP e em MG, conseguir o apoio de Marina é pouco provável. Mas se conseguir, é a única chance de buscar de fato a vitória no "Ballotaggio". De frágil patinho feio, a acreana foi até comparada com Lula pela imprensa, após o resultado insuficiente, porém expressivo. Exagero? Creio que sim. Cada um é cada um. Em 1989, a "vibe" era outra. Lula era "comunista" e defendia o proletariado. Convém lembrar que no 1º turno desse longíquo ano, ele ficou nos 16% dos votos válidos. Por isso, o valor que tem esse número de votos para Marina, que fez  uma campanha que pedia doações e não tinha aliados partidários.
     
     No Senado, muitos "coroneis" vão tirar férias. Ha-ha. E o PT entupiu-se de cadeiras pelo Brasil. Ótimo, rumo à democracia de um partido só. O voto casado de hoje é o mesmo na hora de aprovar a CPMF amanhã. E sem oposição, não se tem uma boa discussão nem sequer debate. Eu só desejava que o parlamentar pudesse ter opinião própria em algumas situações, que fosse. Hoje, é cada vez mais difícil. Eu cresci com tendências de esquerda. Quando pequeno, não votava, óbvio, mas mentalizava meus candidatos.  Abominava o carlismo e seus efeitos. Podia dizer que era petista. Fui com meu pai às urnas em 2002 eleger o primeiro Presidente do Povo; em 2006, enfrentei, nas urnas, o carlismo, dando vitória histórica a Wagner, acreditava no perfil político petista. Mas hoje, após oito anos na Presidência e muitos governos estaduais, o PT se apresenta diferente. Não mudei minha forma de ver a política nem as minhas convicções ideológicas,  só não me prendo a nenhum lado (até porque dicotomia esquerda-direita não existe mais, nem vale a pena) Entretanto, parece que o PT, sim. Ele não quer mais o governo, quer o poder - sentido estrito. Pelo menos, é o que parece. Não estou desconhecendo as inúmeras qualidades do governo presidencial do PT, mas sim das suas atitudes após seu maior crescimento.

     Quanto ao fenômeno Tiririca, o palhaço, só parabenizo São Paulo por rara demonstração de convicção em um candidato. Mas, sério, Tiririca está em pleno exercício de direito. Por um lado, é até mais representante que certos engravatados. O que há de errado nessa história são duas coisas: uma, os partidos se aproveitarem de candidatos famosos polêmicos ou carismáticos, com discurso de novidade na política, para atraírem quantidade de votos, que nunca obteriam, e com isso, e, beneficiados pelo sistema proporcional, elegerem um bando na corda da "celebridade"; outra, o povo, achando que pior que tá não fica, vota em um candidato  alternativo, e elege junto com ele os tradicionais "palhaços" (só que não profissionais). Tiririca elegeu deputado envolvido no mensalão, mas.. paciência.
     
     Aqui na Bahia, sorria. Ô conivência! Sem mais comentários. Wagner, está tudo na paz por aqui, fora do Palácio de Ondina! Continua de boa aí, irmão. Aliás, pode até trabalhar um pouquinho menos. Todavia, elogio os baianos por não terem elegido Flavinho do Pagoda'rt, Jean Nanico do Pida e afins.
    
     Uma última crítica que faço, e dessa vez vale pro país inteiro, é a imortal e intensa eleição de votos por sobrenome. Mario Negromonte Junior, Ana Arraes, Maria Luiza Carneiro, Paulo Roriz e muito outros.
    
      Em 2012, vote Vini Tiririca, melhor que tá fica!




sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Besta é tu.

    Uma coisa que está deveras me incomodando, nesse período pré-eleitoral, é a ceticidade com a qual certas pessoas fundamentam seus prováveis votos. Antes de tudo, eu respeito qualquer opinião política, mesmo que faça críticas pesadas, além das ironias e piadas, que são do meu feitio. Mas é que não concordo com certa imaturidade, digamos, que algumas pessoas enxergam o processo demócratico de eleição à Presidência. O pluripartidarismo foi uma das maiores conquistas do desenvolvimento da democracia, quiçá, a forma como voltou, pós regime militar, ditadura, opressão e afins.
    Pois, sim. Quero chegar na discussão Marina, Dilma, Serra e, indiretamente, Plínio. Marina está em campanha indubitavelmente inovadora e interessante, mesmo para os seus não-simpatizantes. Uma aliança de um partido só, que não se prende às mesmices da Esquerda contra-tudo e da Direita pró-nada, e que, ao mesmo tempo, não expurga do seu dabate os seus adversários. Não vou me alongar quanto a isso, mas a proposta de governo de Marina sem o jogo dos mais importantes cargos e a clareza no tocante ao planejar um governo com presença, imbuído de devido e até então desconhecido limite, de partido minoritários e dos medalhões, positivamente me chamou a atenção.
   Dilma, por mais que negue, se vende como um cego com cão-guia, uma criança com tutor ou uma moto com piloto, o que você preferir. O governo de Lula foi bom, foi. Muito, em muitos aspectos. Mas não é por isso que votaremos cegamente no candidato que ele propuser (lembrar de ACM e Paulo Maluf). Eu entendo que o mínimo existencial que Lula tem garantido aos mais pobres deste país faz, sim, muita diferença para que essas pessoas votem em Lula. Entendo, até certo ponto, quem vota em Dilma na esperança, pra mim falsa, de uma continuação do que foi bom com Lula. Sei que a maior parte do eleitorado no Brasil é muito conservadra com coisas com as quais não deveriam ser. Foi assim quando reelegeram FHC e quando esperaram fissurar todos os ossos da face até votarem em alguém que não tivesse pinta de doutor e um bom terno.
    Mas deve-se sempre dicutir as possibilidades.
    É triste quando um jovem é considerado idealista, sonhador por acreditar em coisas novas. Por sinal, "sonhador" tem um sentido pejorativo, né? Que eu me lembre, quem não achava muito legal sonhar e idealizar e lutar por ideais eram os militares. Ponto. Mas até isso sou capaz de respeitar.
    O senhor Serra, sinceramente, não merece voto de um nordestino, para não generalizar mais. Não tem nem mais como dizer que os grandes empresários, as famílias de primeira e segunda classe têm naturais motivos para elegê-lo. Lula não os decepcionou. A economia cresceu pra quase todo mundo nestes oito anos. E muito menos se tem como explicar aquelas pessoas que são cegamente de direita. Mais revoltados com o seu oposto que os próprios esquerdistas. É um mal para a política, a meu ver. E na direita se vê muito mais. Pessoas que, não importem o candidato votam lá, no discurso pronto coveniente, nada a propor de novo, até porque quem já tem tudo, deste não precisa. Aqui na Bahia toda eleição é assim. Os carlistas, órfãos do "painho" e os de extrema direita, votam contra o candidato da oposição, mesmo que votem em um partido de centro meeiro que tenha feito um péssimo governo e faça "de tudo", na campanha, para não ser eleito.
    Enfim, voltando à presidência, o que me incomoda é o fato de pessoas não votarem em certo candidato por dizerem que ele não vai ganhar! Essa é maior ignorância que se pode ouvir nas conversas sobre política do dia-a-dia. É verdade que grande número dos eleitores de Marina são os estudantes universitários, o que indica, no mínimo, um ponto positivo pra ela, em uma sociedade cujos jovens se dividem entre desinteressados por política e conscientes em mudanças (estes são muitos, mesmo que os conservadores céticos tirados a bons eleitores duvidem). Como pode "eu até gosto da Marina, mas ela não ganha... voto no(a) Dilma/Serra mesmo"? Pessoas estudadas, algumas até jovens, de mente aberta, com tamanha redução de raciocínio... Isso eleva minha desesperança para essa eleição. Votar em algum por "não ter outro" não se aplica agora em 2010, assim como o bipartidarismo PT/PSDB. Não é porque a Dilma me dá cada dia mais motivos para não votar nela, que vou votar no Serra "mesmo, é o jeito". Ou vice-versa. Gente, peraê. A democracia está em quando lhe garantem diversas opções de votos, não reduzindo a disputa pelo cargo máximo do Executivo a grupos famigerados incoerentes com figuras porventura desgostosas. Marina veio com desejo de debater abertamente sobre tudo, não foge dos debates, e tem foco nos seus projetos. Não estou dizendo que ela é a maioral. Só estou afirmando que ele atenta para os temas mais polêmicos, dá a cara a bater. Acerta e erra sem medo. Óbvio que existem opiniões dela das quais eu discordo. Só não concordo que não se vote nela por "achar" que ela não tem chance. Ah, e segundo os "confiáveis" institutos brasileiros de pesquisa, Dilma já ganhou né? Serra já perdeu no 1º turno né? Hum.
   Lula jamais teria chegado à presidência sem a confiança que lhe foi dada ao longo dos pleitos. Foram muitos. Fato. Mas a diversidade de opções está aí para você votar em quem você ACREDITA ser o mais qualificado, além de ser aquele que merece seu VOTO, e consequentemente, seu poder delegado. Lula galgou desde a década de 80, perdeu no 1º turno em 1994 e 1998 com 39 e 31%, até chegar na suada vitória do segundo turno de 2002.
    Marina Silva pode de fato não ganhar agora, mas que observe-se a importãncia de cada voto que ela conquista nesta campanha, sem grandes fundos, sem grandes aliados, e até agora satisfatória, do ponto de vista da propaganda e divulgação. Se Dilma ganhar este ano, 2014 será uma eleição muito mais esperançosa para o nosso país com a candidatura mais forte com um, já certo, governo no mínimo mediano de Dilma. O recado é esse: se você não quer a perpetuação do PT e seu bolo político, nem a eleição da figura (sem mais qualificações) Dilma Roussef, não vote no partido majoritário oposto por mero desleixo, reflexo. Eu falei de Marina, mas também Plínio deve ser bem analisado e levado a sério. Ele é engraçado, mas é mais candidato do que os dois "grandes", em certos aspectos.
    E é isso. Vote em quiser, mas com a razão, o motivo e o porquê. E não em quem as pesquisas ou certas mídias desejam que você vote. Eu voto na Marina por acreditar em sua passagem para o 2º turno. E não me digam que um segundo turno Dilma x Serra é igual a um Dilma x Marina. E não fujam dos debates!

Por que não viver?
Não viver esse mundo...
Besta é tu
   e Consciência é a luz.

domingo, 5 de setembro de 2010

Que tal um país assim?

   2042. Chega ao poder o PNH, após vitória assustadora em pleito indiscutivelmente democrático e sem ofensas indesejáveis entre os adversários, algo, até então, inédito no país. Os noventa e um porcento no primeiro turno causaram uma estupefação um tanto incômoda fronteiras afora. Desconfiava-se de tal eleição, falavam até em golpe de estado, esquema ilícito dos órgãos eleitorais e no voto por coação psicológica. Os jornais estrangeiros estampavam: “What democracy?”, “Hasta de los 10% se sospecha”, “Ha tornato quell’America?”. Mas, quem no país estava, estrangeiro ou nativo, não tinha dúvidas. Fora a mais justa e indiscutível eleição dos últimos tempos, com muita transparência dos candidatos e dos responsáveis pela apuração de votos.
   O que havia de novo era a disputa ideológica, que em nada lembrava os pobres intelectuais do século XX/início do século XXI. Após a guerra bilateral, o Oriente, com sua imperiosa Liga, derrotou o Ocidente, liderado pela desestruturada Nação Europeia. Os costumes padrões agora eram outros, mas A Liga, com algumas exceções, não impusera seus costumes nem sua cultura, apenas sua liderança no tocante à economia, ao exército e na exploração dos bens naturais ocidentais que lhes pudessem ser úteis. As pseudodemocracias centro e sulamericanas foram depostas. O único país invadido completamente fora os Estados Unidos, o que até se era esperado. Eles se tornaram a Ásia de Apoio, território político e militar dividido entre China, Japão, Rússia e Tigres Asiáticos para consolidar, dentre outras coisas, a própria vitória. Os poucos norteamericanos que não foram dizimados faziam parte do exército asiático, na parte central da Ásia de Apoio, e falavam agora mandarim.
   Todavia, a democracia conhecida do século XX desenvolveu-se naturalmente no resto do ocidente. Só que agora os países da Europa e da América do Sul, por exemplo, viviam uma vida submissa economicamente e com uma política basicamente interna. Externamente, o diálogo era mais entre os órgãos de imprensa, que se esforçavam numa tarefa simplória, mas ainda honrosa, para eles, de tentarem manter tudo que derivava dos “bons tempos” do século XX, como a democracia presente neles. Portanto, um partido chegar ao poder significava tão somente em regular a vida de seus cidadãos a seu modo. E com uma eleição quase unânime de um partido ideologicamente singular, fez-se instaurar um clima de certa apreensão nos ocidentais. Uma das coisas considerada boa nessa nova ordem mundial fora a destituição dos populistas sulamericamenos.
   Mas por que tanta balbúrdia? O PNH venceu o Partido Unido da Democracia e o Partido Democrático das Religiões e Crenças com uma proposta de consolidação de um regime vegano no país. Isso. PNH significava Partido Não-Humano.
   Mesmo com apenas 39% de nativos veganos, e a ligação do PNH com uma facção vegan multinacional, denominada Smory, responsável pela radicalização da ideologia vegana, o partido conseguira conquistar quase a totalidade da população, pois possuía projetos assaz importantes, realizáveis e muito originais. comparados aos de seus adversários. A sua ideologia central nem sequer fora muito explorada em sua campanha. E de certa forma, aí estava o perigo. Ao assumir, seu principal foco estava na remodelação de todo o comportamento alimentar, industrial e consumidor em seu território. Começou com um total corte de exportações e importações de produtos de origem animal. Em seguida, a Vega, polícia criada para garantir a saúde e uma “re-humanização” das pessoas, fez um “rapa” em todos os estabelecimentos comerciais e fábricas do país, destruindo tudo que fosse fruto da horrenda e sagaz exploração do homem sobre qualquer animal. As sociedades privadas apenas tiveram seus fins originários destinados a outros, além de trabalharem em novos espaços. O PNH já parecia ter tudo planejado desde muito cedo; a polícia já estava, secretamente, formada e treinada há mais de dez anos, e contava com um grande contingente, bem distribuído em todas as regiões. Ao assumir o governo, foi só aliar as polícias comuns, as de força, às suas. E, dessa parte, cuidava a Smory, que administrava e planejava as operações desta a fim de agilizar a generalização de sua ideologia. Como o veganismo abole qualquer tipo de violência, o PNH , de início, fazia que não era consigo quando qualquer força institucionalizada agia para algum fim seu. E não era de certa forma. A Smory agia como um governo à parte, livre e independente para fazer cumprir os planos do PNH.
   Leis foram criadas, Emendas significativas à Constituição também, e nem sequer o partido percebeu quando o Regime já estava posto. As mudanças nas indústrias e no comércio foram até mais rápido do que o partido desejava. A luta concentrava-se mesmo contra o povo, a massa, os que nem sabiam lá direito o sentido de veganismo. Comer carne para eles era tão natural quanto comer verduras. E como adaptar todo um povo acostumado a vestir-se, ensaboar-se e perfurmar-se de forma “indevida”, por um mero capricho, e por que não dizer, irracional? Mas nada que um regime bem estruturado não pudesse resolver, afinal, a massa sempre faz o que seu governo quer. E, por sinal, qual o sentido de ‘massa’ mesmo? Pois é. Um bolo pensante, ou melhor, não pensante, puramente instintivo, que só estava agindo do modo não-vegano porque, em toda sua vida, praticamente não o conhecera. E, em uma questão de tempo, estaria nas ruas abraçado às bandeiras do veganismo, defendendo-o com o mais singelo afinco. E a mídia, como sempre, se fez de instrumento. Se antes era para incentivar consumir o desnecessário, alimentar matanças de espécies por mero lucro, agora, era servia para explicitar os benefícios da cultura vegana, de como sua ideologia era mais saudável, mais barata e muito mais politicamente correta, e como o homem não-vegano era sinônimo de assassino e torturador tanto da sua espécie quanto das outras. Para isso, achou-se necessário um canal televisivo estatal, o Estilo de Vida, majoritário e privilegiado em relação aos outros.
   Inegavelmente, o PNH estava rompendo com muitos princípios, tanto seus como constitucionais, para a consecução de um fim geral. O poder o fez perder certo autocontrole e desfocar de tudo que não fosse relacionado ao estilo de vida vegana. A educação, por exemplo, teve fundos reduzidos significativamente, já que o período inicial do governo foi todo voltado ao fim dos antigos costumes e adaptação à força aos novos. Em seguida se pensaria em outros afazeres. A ala mais conservadora do partido, diante da já abusiva atuação do PNH, revoltou-se. A implantação governamental da ideologia e do estilo de vida era sim desejada, mas não com tamanho abuso. As polícias invadiam as casas, reviravam as geladeiras, levantavam colchões, revistavam pessoas nas ruas, descalçavam e rasgavam roupas até de crianças. Fazia-se de tudo para impedir o comércio ilegal das “novas drogas”, nome dado às carnes. A todo momento a Vega prendia contrabandistas delas, e também muitos jovens que não conseguiam se adaptar ao regime, e escondiam as “novas drogas” até nas meias. Pontos, eventualmente propícios para se consumir as antigas drogas, agora serviam para comer, escondido, uma bisteca ou uma salsichinha, que fosse. Mas a Vega sempre descobria esses pontos, o controle era incessante. Parecia haver agentes dela em toda parte, e quem era pego apanhava absurdamente, além de passar dias sendo humilhado em detenções. Na prática, era a filosofia da Smory que estava a governar, mas isso já nem incomodava os líderes do PNH. No geral, ideologicamente, tudo dava certo, além de seu poder no Parlamento estar mais que consolidado. O máximo que os discordantes do partido poderiam fazer era desfiliar-se. Mas a maioria não quis abdicar de seus cargos e do Governo por uma tão ínfima distorção na ideologia, já que na prática, o fim maior ia sendo conquistado e ninguém estava morrendo por isso.
   Com a mídia controlada, a população perdera muito do contato com o mundo externo. Tudo relacionado à alimentação e animais, em outros países, passava por censura. Assim, sem nenhum estímulo mental, o desejo por carne, motivo de maior revolta no início do regime, simplesmente desaparecera. E, em quatro anos, o povo nem se lembrava que um dia seu cardápio fora diferente. Importante relatar que, com tamanha reestruturação em setores econômicos e industriais, ninguém perdera seu emprego. Na prática, as pessoas “afetadas”, só mudaram de profissão, e continuaram ganhando o mesmo. E essa foi a maior genialidade do PNH. Ou não. Já era sabido que a Smory tinha uma renda um tanto obscura e significativa, o que garantia uma boa ajuda ao PNH. Por isso, esta precisava daquela, mesmo com seu radicalismo. Enfim, bastava agora o governo fazer alguns investimentos relâmpagos na educação e tudo estaria em paz, para sua reeleição.
   Em incríveis poucos anos, praticamente tudo estava sob controle: 80% da população se declarava vegana por opinião própria; 15 % diziam ser veganos forçados; e outros 5% se declaravam não-veganos, mesmo que inevitavelmente já o praticassem. O relevante dos dados era que ninguém, até porque não se era mais possível, financiava o capital esfolador de animais, nem destes se alimentava, deixando-os felizes e saltitantes.


Primeiro.

Sem nenhuma pretensão criei isso aqui, exceto para escrever, contar lorotas, fazer críticas diversas e rir do meu eventual 'eu' lírico. O bom de não ser no Word é que se está passível de críticas. O que é sempre bom.
Que eu seja bem-vindo. (e você também)