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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Besta é tu.

    Uma coisa que está deveras me incomodando, nesse período pré-eleitoral, é a ceticidade com a qual certas pessoas fundamentam seus prováveis votos. Antes de tudo, eu respeito qualquer opinião política, mesmo que faça críticas pesadas, além das ironias e piadas, que são do meu feitio. Mas é que não concordo com certa imaturidade, digamos, que algumas pessoas enxergam o processo demócratico de eleição à Presidência. O pluripartidarismo foi uma das maiores conquistas do desenvolvimento da democracia, quiçá, a forma como voltou, pós regime militar, ditadura, opressão e afins.
    Pois, sim. Quero chegar na discussão Marina, Dilma, Serra e, indiretamente, Plínio. Marina está em campanha indubitavelmente inovadora e interessante, mesmo para os seus não-simpatizantes. Uma aliança de um partido só, que não se prende às mesmices da Esquerda contra-tudo e da Direita pró-nada, e que, ao mesmo tempo, não expurga do seu dabate os seus adversários. Não vou me alongar quanto a isso, mas a proposta de governo de Marina sem o jogo dos mais importantes cargos e a clareza no tocante ao planejar um governo com presença, imbuído de devido e até então desconhecido limite, de partido minoritários e dos medalhões, positivamente me chamou a atenção.
   Dilma, por mais que negue, se vende como um cego com cão-guia, uma criança com tutor ou uma moto com piloto, o que você preferir. O governo de Lula foi bom, foi. Muito, em muitos aspectos. Mas não é por isso que votaremos cegamente no candidato que ele propuser (lembrar de ACM e Paulo Maluf). Eu entendo que o mínimo existencial que Lula tem garantido aos mais pobres deste país faz, sim, muita diferença para que essas pessoas votem em Lula. Entendo, até certo ponto, quem vota em Dilma na esperança, pra mim falsa, de uma continuação do que foi bom com Lula. Sei que a maior parte do eleitorado no Brasil é muito conservadra com coisas com as quais não deveriam ser. Foi assim quando reelegeram FHC e quando esperaram fissurar todos os ossos da face até votarem em alguém que não tivesse pinta de doutor e um bom terno.
    Mas deve-se sempre dicutir as possibilidades.
    É triste quando um jovem é considerado idealista, sonhador por acreditar em coisas novas. Por sinal, "sonhador" tem um sentido pejorativo, né? Que eu me lembre, quem não achava muito legal sonhar e idealizar e lutar por ideais eram os militares. Ponto. Mas até isso sou capaz de respeitar.
    O senhor Serra, sinceramente, não merece voto de um nordestino, para não generalizar mais. Não tem nem mais como dizer que os grandes empresários, as famílias de primeira e segunda classe têm naturais motivos para elegê-lo. Lula não os decepcionou. A economia cresceu pra quase todo mundo nestes oito anos. E muito menos se tem como explicar aquelas pessoas que são cegamente de direita. Mais revoltados com o seu oposto que os próprios esquerdistas. É um mal para a política, a meu ver. E na direita se vê muito mais. Pessoas que, não importem o candidato votam lá, no discurso pronto coveniente, nada a propor de novo, até porque quem já tem tudo, deste não precisa. Aqui na Bahia toda eleição é assim. Os carlistas, órfãos do "painho" e os de extrema direita, votam contra o candidato da oposição, mesmo que votem em um partido de centro meeiro que tenha feito um péssimo governo e faça "de tudo", na campanha, para não ser eleito.
    Enfim, voltando à presidência, o que me incomoda é o fato de pessoas não votarem em certo candidato por dizerem que ele não vai ganhar! Essa é maior ignorância que se pode ouvir nas conversas sobre política do dia-a-dia. É verdade que grande número dos eleitores de Marina são os estudantes universitários, o que indica, no mínimo, um ponto positivo pra ela, em uma sociedade cujos jovens se dividem entre desinteressados por política e conscientes em mudanças (estes são muitos, mesmo que os conservadores céticos tirados a bons eleitores duvidem). Como pode "eu até gosto da Marina, mas ela não ganha... voto no(a) Dilma/Serra mesmo"? Pessoas estudadas, algumas até jovens, de mente aberta, com tamanha redução de raciocínio... Isso eleva minha desesperança para essa eleição. Votar em algum por "não ter outro" não se aplica agora em 2010, assim como o bipartidarismo PT/PSDB. Não é porque a Dilma me dá cada dia mais motivos para não votar nela, que vou votar no Serra "mesmo, é o jeito". Ou vice-versa. Gente, peraê. A democracia está em quando lhe garantem diversas opções de votos, não reduzindo a disputa pelo cargo máximo do Executivo a grupos famigerados incoerentes com figuras porventura desgostosas. Marina veio com desejo de debater abertamente sobre tudo, não foge dos debates, e tem foco nos seus projetos. Não estou dizendo que ela é a maioral. Só estou afirmando que ele atenta para os temas mais polêmicos, dá a cara a bater. Acerta e erra sem medo. Óbvio que existem opiniões dela das quais eu discordo. Só não concordo que não se vote nela por "achar" que ela não tem chance. Ah, e segundo os "confiáveis" institutos brasileiros de pesquisa, Dilma já ganhou né? Serra já perdeu no 1º turno né? Hum.
   Lula jamais teria chegado à presidência sem a confiança que lhe foi dada ao longo dos pleitos. Foram muitos. Fato. Mas a diversidade de opções está aí para você votar em quem você ACREDITA ser o mais qualificado, além de ser aquele que merece seu VOTO, e consequentemente, seu poder delegado. Lula galgou desde a década de 80, perdeu no 1º turno em 1994 e 1998 com 39 e 31%, até chegar na suada vitória do segundo turno de 2002.
    Marina Silva pode de fato não ganhar agora, mas que observe-se a importãncia de cada voto que ela conquista nesta campanha, sem grandes fundos, sem grandes aliados, e até agora satisfatória, do ponto de vista da propaganda e divulgação. Se Dilma ganhar este ano, 2014 será uma eleição muito mais esperançosa para o nosso país com a candidatura mais forte com um, já certo, governo no mínimo mediano de Dilma. O recado é esse: se você não quer a perpetuação do PT e seu bolo político, nem a eleição da figura (sem mais qualificações) Dilma Roussef, não vote no partido majoritário oposto por mero desleixo, reflexo. Eu falei de Marina, mas também Plínio deve ser bem analisado e levado a sério. Ele é engraçado, mas é mais candidato do que os dois "grandes", em certos aspectos.
    E é isso. Vote em quiser, mas com a razão, o motivo e o porquê. E não em quem as pesquisas ou certas mídias desejam que você vote. Eu voto na Marina por acreditar em sua passagem para o 2º turno. E não me digam que um segundo turno Dilma x Serra é igual a um Dilma x Marina. E não fujam dos debates!

Por que não viver?
Não viver esse mundo...
Besta é tu
   e Consciência é a luz.

Um comentário:

  1. Gostei do texto, só nao concordo com a questão do Plínio, um fanfarrão de primeira, menos candidato até que Dilma.

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