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domingo, 31 de outubro de 2010

Jovem ainda...


    O jovem, desiludido, chega a um bar vazio e sombrio, pega uma bebida e senta numa mesa ao fundo.  Com o olhar para o infinito, mal toca na bebida. Um velhinho sujo, mal cuidado e de poucos dentes, mas muita simpatia, também só, na mesa ao lado, sorri enquanto vira copos e copos de pinga. O jovem, então, decide ir até lá. Chega sem falar nada. Senta-se de frente pro desdentado sorridente e, depois, diz:
    - Comemorando o quê, senhor? - em tom irônico.
    - Eu, viúvo, sem filhos, sem trabalho, sem casa, sem banho, e velho, comemorando?
    - Se não comemoras, o que..
    - Tô só de passagem... – respondeu, desta vez cético.
    - Mas com tantos sorrisos ao beber assim só, neste bar mais depressivo do que os que aqui vêm afogar-se?
    - Nunca se está só quando ainda não se perdeu a simpatia. Ela tá aí?
    - Ela, quem?
    - A sua...
    - Ah, não. Foi embora, faz tempo. Como tudo que eu tinha. – falou o jovem, com convicção.
    - O que você tinha?
   - Amigos, namoradas, carros, família... Tudo. Mas e você, o que tem além da simpatia?
   O velhinho levantou, foi até a entrada do bar, pegou um caderno surrado nas suas tralhas que lá estavam e voltou:
    - Aqui tem tudo de bom que já passei... fotos, histórias, memórias, viagens e até as contas de banco que já tive.
    - Sim, mas o que tem de verdade? O que te faz seguir com tua simpatia? - perguntou o já incomodado jovem.
    - Eu tenho a certeza de olhar pra trás e ver que na sua idade e no dobro dela, eu aproveitei tudo que pude, vivi com as melhores pessoas, tive os melhores presentes e fui pra onde quis ir. – disse-lhe, sério.
     - Do que adianta, se hoje está assim, no lixo e sem nenhuma pessoa?
    - Não me importa. Não quero mais nada da vida. Tomar pinga e ver que fui mais feliz que todos de pouca e meia idade que passam neste bar, já me deixa à espera de uma morte que só vai recompensar essa alma tranquila e cansada.
   Antes que o jovem pudesse exprimir seu sentimento contrário à provocação de um mendigo filosófico, o velho pôs a mão em seu ombro, e com outra deu-lhe o caderno que tinha pego.
   -  Toma. Pega as folhas em branco e viva-as direito. Ainda dá tempo de compensar toda a fraqueza dessa juventude viril, que nunca existiu. Um ano bem vivido nessa velhice imunda é mais valioso que uma juventude pausada por ilusões esquecidas numa mesa de bar.
   - Olhe, meu velho, o seu discurso é muito bonito, mas a vida não é fácil assim pra quem foi injustamente alvo de todas as tragédias que a vida pôde lhe oferecer. - com isso, o jovem voltou à sua mesa, arrependido de ter começado aquela conversa. Entornou seu copo, foi até o balcão, deixou o dinheiro e seguiu à porta, alterado. Fora um completo idiota indo até à mesa do velho e ouvindo tudo aquilo que não queria.
   O velho, decidido, chamou-o, em tom de voz mais elevado:
   - Amigo, faltou só um coisa. Deixa-me dizer.
   O jovem parou e olhou pra trás.
    - Na verdade, eu nunca fui feliz, nunca tive nada do que lhe falei. - falou o velho com a voz pesada e aparentemente muito sincera.
    O jovem, confuso e sem muita paciência, quis entender:
    - E por que me fizeste ouvir tanta história falsa, judiando do que restou da minha paz?
    - Há meses eu venho aqui neste bar com um objetivo que nunca realizei... Mas, mesmo com todas as suas decepções, creio que você me deu uma esperança de que hoje eu poderei voltar ao leito do qual fugi, do outro lado da cidade.
    - Aonde o senhor quer chegar, afinal?
    - Pega esse caderno aqui. A capa já até se desprende, mas por dentro tá inteiro...
     O velho andou até o jovem e lhe deu o caderno, visivelmente emocionado:
     -  É sobre minha vida, sim. O detalhe é que ele ainda tá vazio... e nem saúde eu tenho mais... Escreva aqui o que vai começar hoje.






quarta-feira, 6 de outubro de 2010

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O pinto pia.
 
A pata poa.


Pão.

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Melhor que tá fica?

     Meus companheiros, nunca antes na história desse país... rsrs
   
     É, a eleição passou, exemplarmente democrática, apesar das propagandas e marketings que hoje contaminam o processo eleitoral. Mesmo com a eleição a Presidente indo ao segundo turno, os números de Dilma por estado são realmente significativos. E nas regiões, Serra só ganhou em uma. Muito difícil Serra vencer o segundo turno, creio, mas só de ter um segundo turno já fico feliz. Parafraseando Marina, não queria que a eleição fosse um plebiscito (como foi aqui na Bahia). Serra e o PSDB agora vão se rastejar pelo apoio de Marina e do PV: já se especula até o nome de F. Gabeira como seu novo vice - risos. Apesar de o PV já ser aliado do PSDB no RJ, em SP e em MG, conseguir o apoio de Marina é pouco provável. Mas se conseguir, é a única chance de buscar de fato a vitória no "Ballotaggio". De frágil patinho feio, a acreana foi até comparada com Lula pela imprensa, após o resultado insuficiente, porém expressivo. Exagero? Creio que sim. Cada um é cada um. Em 1989, a "vibe" era outra. Lula era "comunista" e defendia o proletariado. Convém lembrar que no 1º turno desse longíquo ano, ele ficou nos 16% dos votos válidos. Por isso, o valor que tem esse número de votos para Marina, que fez  uma campanha que pedia doações e não tinha aliados partidários.
     
     No Senado, muitos "coroneis" vão tirar férias. Ha-ha. E o PT entupiu-se de cadeiras pelo Brasil. Ótimo, rumo à democracia de um partido só. O voto casado de hoje é o mesmo na hora de aprovar a CPMF amanhã. E sem oposição, não se tem uma boa discussão nem sequer debate. Eu só desejava que o parlamentar pudesse ter opinião própria em algumas situações, que fosse. Hoje, é cada vez mais difícil. Eu cresci com tendências de esquerda. Quando pequeno, não votava, óbvio, mas mentalizava meus candidatos.  Abominava o carlismo e seus efeitos. Podia dizer que era petista. Fui com meu pai às urnas em 2002 eleger o primeiro Presidente do Povo; em 2006, enfrentei, nas urnas, o carlismo, dando vitória histórica a Wagner, acreditava no perfil político petista. Mas hoje, após oito anos na Presidência e muitos governos estaduais, o PT se apresenta diferente. Não mudei minha forma de ver a política nem as minhas convicções ideológicas,  só não me prendo a nenhum lado (até porque dicotomia esquerda-direita não existe mais, nem vale a pena) Entretanto, parece que o PT, sim. Ele não quer mais o governo, quer o poder - sentido estrito. Pelo menos, é o que parece. Não estou desconhecendo as inúmeras qualidades do governo presidencial do PT, mas sim das suas atitudes após seu maior crescimento.

     Quanto ao fenômeno Tiririca, o palhaço, só parabenizo São Paulo por rara demonstração de convicção em um candidato. Mas, sério, Tiririca está em pleno exercício de direito. Por um lado, é até mais representante que certos engravatados. O que há de errado nessa história são duas coisas: uma, os partidos se aproveitarem de candidatos famosos polêmicos ou carismáticos, com discurso de novidade na política, para atraírem quantidade de votos, que nunca obteriam, e com isso, e, beneficiados pelo sistema proporcional, elegerem um bando na corda da "celebridade"; outra, o povo, achando que pior que tá não fica, vota em um candidato  alternativo, e elege junto com ele os tradicionais "palhaços" (só que não profissionais). Tiririca elegeu deputado envolvido no mensalão, mas.. paciência.
     
     Aqui na Bahia, sorria. Ô conivência! Sem mais comentários. Wagner, está tudo na paz por aqui, fora do Palácio de Ondina! Continua de boa aí, irmão. Aliás, pode até trabalhar um pouquinho menos. Todavia, elogio os baianos por não terem elegido Flavinho do Pagoda'rt, Jean Nanico do Pida e afins.
    
     Uma última crítica que faço, e dessa vez vale pro país inteiro, é a imortal e intensa eleição de votos por sobrenome. Mario Negromonte Junior, Ana Arraes, Maria Luiza Carneiro, Paulo Roriz e muito outros.
    
      Em 2012, vote Vini Tiririca, melhor que tá fica!