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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O compromisso socioambiental da Rede Globahia


A Rede Bahia de Televisão acaba de receber o Prêmio Embratel de Responsabilidade Socioambiental em virtude de uma reportagem do jornalista José Raimundo. Tal organização, que se passa de imprensa, já provou diversas vezes quais os interesses pelos quais militam e quais realidades lhe apetecem noticiar ou distorcer. Em 2007, um desses inúmeros ocorridos ganhou projeção nacional e também ganhou  - o tão desejado pelas filiadas à Rede Globo - elogio "estarrecedor" de William Bonner. Uma grande reportagem, daquele mesmo José Raimundo, foi montada, com fraudes perceptíveis à primeira vista e com uma produção e edição estranhamente posta, principalmente no tocante às entrevistas. Com base nesta reportagem, uma Juíza Federal acatou um pedido de liminar que suspendia um processo do INCRA que implicaria no reconhecimento definitivo de direitos da comunidade quilombola em questão, apoiado em um instituto do Código de Processo Civil chamado de "Fato Notório" - que é de conhecimento geral e dispensa prova em contrário! Um tempo passou, as informações foram engolidas e o ataque à luta da comunidade, mantida. Somente em 2009, com a já nítida e incontestável falta de caráter jornalístico da reportagem ensejadora da distorção aludida, o Juiz Federal da 7ª Vara Cível e Agrária, Wilson Alves de Souza, suspendeu tal liminar. Hoje, com a Apelação impetrada à tal decisão, o processo encontra-se à espera de julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

É de grande relevância o curioso embate sobre Posse e Propriedade, tendo em vista que legalmente ela é indiscutível no tocante às comunidades remanescentes de quilombolas, que não chegaram à região (principalmente em Cachoeira, no recôncavo baiano) ontem ou anteontem, além do exaltado e desde 1988, critério de autoatribuição dos quilombolas como garantidor do exercício de seus direitos, incluídos os de não remoção e propriedade da sua terra. Sagaz o fato de os pretensos descaracterizadores do Quilombo, que detêm o poder econômico na região e que colocaram o poder midiático no seu bolso e usaram a seu favor, através de meios coloniais, como a coação por intermédio de jagunços armados, para a consecução de seus interesses, não figurarem como parte processual no litígio da Ação Cautelar perante à Justiça Federal, salvo em posteriores Ações de Reintegração de Posse.

Essa breve reflexão de um fato que não é do passado, é presente e futuro, por poder causar ainda efeitos socioambientais e culturais devastadores para a região mais afrodescendente da Bahia, serve de alerta para a constante percepção de como o controle da informação, por ditas mídias, premiadas e valorizadas, com grande alcance de público, pode influenciar negativamente no processo de construção de uma sociedade justa e igualitária, e contribuir para manutenção da antiga cegueira de parcela significativa da sociedade e do Estado-juiz em relação aos mais excluídos da realidade fictícia que passa todos os dias na sua tevê.

Reportagem


Direito de Resposta



O senhor Altino e a Dona Maria, juntos no final do último vídeo, faleceram na mesma semana, a última do ano de 2008, após várias ameaças de sujeitos armados para que deixassem suas casas.






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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apoteose estatal

Na aurora desta terça-feira, oito de novembro de dois mil e onze - sim, onze - a Polícia Militar do Estado de São Paulo em maçante comboio chegou à Reitoria da Universidade de São Paulo para cumprir uma ordem judicial de remoção dos estudantes que a ocupavam, em protesto, há uma semana. Quatrocentos homens excessivamente armados, seguidos por cinquenta viaturas, um esquadrão anti-bombas, anti-discurso, anti-razão, um helicóptero, grupamentos de operações especiais e "caveirões", foi o aparato que o Estado considerou como ideal e proporcional para a retirada de estudantes em causa universitária do prédio da reitoria. MENOS DE UMA SEMANA. A resposta do reitor da USP aos protestos, o seu "diálogo" e o seu interesse em discutir as reivindicações seriamente e dirimir o conflito - cuja causa é, sim, urgente e seguramente relevante - veio com uma Ação de Reintegração de Posse movida em face dos estudantes e com liminar cumprida, tudo isso em menos de sete dias. Resolvida toda aquela balbúrdia. E o Poder Judiciário? Moroso, lento... para quem? quando resolve o quê? Ante à maior celeridade quando o litígio envolve posse ou propriedade - ah, a propriedade... -, a resposta do órgão judiciário foi instantânea, ou melhor já estava decidida antes da sua provocação. Prédio reintegrado, setenta e tantos estudantes detidos e à espera de um indiciamento. As reivindicações saem de foco, a autonomia universitária... bem, ela já não estava lá, mesmo. A criminalização estudantil só ganha força. Os estudantes algemados - por notoriamente terem resistido e oferecerem grave ameaça à ação policial, composta por quatrocentos policiais - são tratados na mídia como badernistas, militantes sem causa, drogados e farristas, alimentando a massa que a assiste, lê e ouve. Com o apoio dos maiores grupos de comunicação, únicos acessados pela maioria dos brasileiros, todo o caso que começou lá atrás a ação truculenta contra três jovens que supostamente estariam consumindo maconha, quarenta anos após a invasão da PM à USP, vem sendo engolido como mais um ato de uma fase rebelde "aideológica". É o orgasmo da velha direita paulista que cerca um dos últimos feixes de pretenso movimento estudantil de esquerda no estado. Com direito à declaração do governador de que os estudantes devem aprender sobre democracia... sim, Alckmin, falando em aprender democracia, viva o Partido da SOCIAL DEMOCRACIA! (como a história mesmo confirma). E morte aos movimentos sociais e estudantis que trouxeram "de volta" essa ambígua democracia em 1984/5. Antes vivêssemos declaradamente alá George Orwell.



"Nada de novo no front
E na retaguarda também"




Continua...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Infância Adulta

Quando o teu sorriso irradia esperança
enquanto só há rotina e desencanto

Quando brilha o olhar
só pra ver
e só por viver

E não deixa o tempo mudar
o que desde cedo se pôs lá

Quando cresce sem perder a energia
condutora alegre da simpatia

De quando criança
que hoje ainda dança

Encontrando o azul no cinza

Sagaz vai
Envelhecendo à juventude

Ela esperta
Sempre desperta

Aquela magia
que lhe é do dia-a-dia


:]