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terça-feira, 26 de junho de 2012

Os DJ's microempresários do Buzu


Pra quem reclamava dos DJ's freelancer que faziam ouvir as músicas que eles quisessem, agora eles querem que as pessoas comprem as músicas que eles ouvem.

Pois é. E em uma curta viagem fui vítima de um bombardeio de ofertas. 

Pego o ônibus e, uns cinco minutos depois, entra um coroa distribuindo cd's com 160 canções de louvor a Deus, ressaltando os sucessos do momento - sim, estava escrito assim na contracapa do disco - e como seria bom tantos talentos em nossos ouvidos por apenas R$ 2,00. Nessa mesma hora ele dá play em um aparelho minúsculo que caía sobre seu ombro. Surgiu do nada aquilo e tocou umas quatro músicas, uma sobre o "dilúvio do amor".

Teve até uma boa venda. Pessoas que já gostavam e outras vencidas pela publicidade pegaram os seus.

O incrível mesmo veio logo depois. O cara desceu do buzu, subiu outro na sequência. Assim, de imediato. Com aquele aparelho de som Bronx 80'. E chegou efusivo: "Bora, galera! Eu tenho o que você quer ouvir. Os melhores sucessos internacionais dos anos 70, 80, 90 e 2000!" - E todo mundo com cara de meme olhando pra ele, ocupando toda a frente do ônibus com seus 1m90.

Só que ele foi mais direto. Deu play no rádio e, em um volume ensurdecedor, ecoou Adele - PQP - com Someone Like You, aquela... música nova. Tocou, tocou. Ele viu que ninguém reagiu. Aí, mudou de faixa... Para tu amor (que es mi tesoro...) - Juanes (?) - é, foi a cara de todos. E isso tudo em um volume absurdo. Incomodando mesmo... Mas o cara tinha boa intenção, né, vendendo o dele, tava eu pensando assim até ter que desistir de tentar escutar o áudio baixo e engasgado do disco de 74 de Cartola que tocava no meu celular.

Essa ficou pouco tempo, próxima: algo parecido com James Blunt, só que era uma mulher com voz de homem, e não o contrário. Muito constrangedor esse momento. O ápice daquele todo nonsense, até então.

Insistiu nessa, até que apelou: LOVE HURTS. Velho...

18h, pessoas caladas, caras fechadas, mais um dia, e cansativo, sós no seu interior, querendo chegar em casa. E, aí, vem essa canção escrota, ficou todo mundo na solidão forever.

Foi desnecessário aí com a galera. Mas depois daí, eu ri, sem conseguir disfarçar, o cara tava na zueira, tentando de tudo mesmo.

Outra canção clichê de amor de sessão da tarde - muito conhecida, cujo nome me passei - e o cara, firme e forte, tira da do bolso aquela canção do "dilúvio de amor" do coroa que passou primeiro. Aí não pude crer. 

E com cara de "não é possível, pelo menos de Deus vocês tem que gostar". Mas, ele vacilou, coitado, todo mundo já tinha ouvido e comprado aquela música dez minutos antes.

Desolado, desce do carro: "Vou nesse aqui, motorista. Todo mundo com o coração muito duro, sem sentimento" - e já na calçada, falando pro buzu - "O povo aí tá com o coração fechado... mas, olhe, vai abrir! Eu sei que vai" - e deu play em Adele (imagina? Someone Like You) pras pessoas do ponto fazerem a mesma cara de meme away.

Fiquei me sentindo sem sentimento e coração de pedra haha. Quem sabe com Pablo da próxima vez?

E o ônibus seguiu seu destino. À espera do novo songpoper.

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