trejeitos alinhados
sutilmente decididos
como quem acusa o desejo
e assim o deixa escapar
fala mais do que se poderia escutar
gesticula com malícia
uma pretensa conquista ocular
forte, mantém-se sereno
não se deixa duvidar
é, sim, um cume calmo
que assenta o encanto
porventura a se desencontrar
receptivo e remetente
dialoga como um flerte
ora como mero verbete
que se inscreve como palavra
na 'memória poética' de quem olharte
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
assim ó
andando por aí
vejo que tem gente vazia por todo canto
gente que passa satisfação e despreocupação
gente que triste,às vezes feliz, que se acha feliz
gente
talvez nem concordem
que demonstram um desânimo intrínseco
por vezes, desesperança
pode ser o sistema econômico voraz
a mentalidade pós-moderna fugaz
mas quem sabe estar bem
e o que é estar bem
autoilusões
preocupam mais
alguém disse que tem de ser dois
a papa do feijão com o arroz
e o um que fique pra depois
fora do ecrã
de uma realidade digital
massificada
ora embaçada,
embora elogiada
dita visionária
não antes embasbacada
pelos que a/se dominam
vos amam
vis tais dias
que nem vos chamam
abraçando a saudade
acolhendo seus ombros
encolhendo-se lá fora
não desce pra ver
não vai te perceber
acabou
ninguém notou
vejo que tem gente vazia por todo canto
gente que passa satisfação e despreocupação
gente que triste,às vezes feliz, que se acha feliz
gente
talvez nem concordem
que demonstram um desânimo intrínseco
por vezes, desesperança
pode ser o sistema econômico voraz
a mentalidade pós-moderna fugaz
mas quem sabe estar bem
e o que é estar bem
autoilusões
preocupam mais
alguém disse que tem de ser dois
a papa do feijão com o arroz
e o um que fique pra depois
fora do ecrã
de uma realidade digital
massificada
ora embaçada,
embora elogiada
dita visionária
não antes embasbacada
pelos que a/se dominam
vos amam
vis tais dias
que nem vos chamam
abraçando a saudade
acolhendo seus ombros
encolhendo-se lá fora
não desce pra ver
não vai te perceber
acabou
ninguém notou
sábado, 18 de maio de 2013
bicondicional
Não saber até que ponto
ser impulsivo
ou ser todo ouvidos
Difícil ponderar
dois eus querem se dominar
e agir tal qual sujeito
desse predicado da vida
O certo é que ninguém sabe
mas todos afirmam
com elegante e falsa certeza
que assim ou assado
fica tudo melhor temperado
Não sei
não vos creio
padeço sem morrer
vivendo de tanto receio
ser impulsivo
ou ser todo ouvidos
Difícil ponderar
dois eus querem se dominar
e agir tal qual sujeito
desse predicado da vida
O certo é que ninguém sabe
mas todos afirmam
com elegante e falsa certeza
que assim ou assado
fica tudo melhor temperado
Não sei
não vos creio
padeço sem morrer
vivendo de tanto receio
sábado, 11 de maio de 2013
Morreu!
É o brado de um senhor de
terceira idade, ainda servidor público, em algum cartório judicial desse
Brasil. Brado feliz, diga-se. Nada mais que uma cena cada vez mais freqüente entre
profissionais envolvidos com a área jurídica, sobretudo no âmbito criminal.
Não é novo que o sistema penal
brasileiro sofre de inúmeros graves problemas, nem que o Estado brasileiro é
ineficiente nesta seara, cometendo deslizes desde a elaboração de muitas leis à
persecução criminal e aplicação desproporcional da privação da liberdade,
muitas vezes antes de uma sentença condenatória. Diante deste contexto, com a
desigualdade social, ainda abissal, neste país, estagnada ou crescente, sem
perspectivas de mudanças estruturais, problemas como aumento da criminalidade,
fome, desemprego, falta de moradia, crianças, velhos e adultos em situação de rua, ou
seja, de negação de direitos fundamentais, se mantêm. Porém, apenas aos olhos
de poucos, vez que, aparentemente, para a maioria o Brasil é visto como um país em crescente
economia, que alavanca sua nobre classe média e conforta a tradicional classe
alta.
Historicamente conhecido por
negar um enfrentamento às causas destes problemas, o Estado brasileiro primou
por medidas pontuais que enfrentassem o resultado dos problemas, sem que isso
nunca tenha demonstrado qualquer indicativo de eficiência. Assim, o
encarceramento excessivo, a repressão a “criminosos”, às drogas, aos jovens negros
favelados suspeitos, não diminuiu os índices de cometimento de crimes, ao contrário, gerou um caos ainda maior na segurança pública, pouco ou mal planejada, geralmente
vista de forma rasa como construção de presídios e compra de novas viaturas
policiais.
Enfim, isso tudo reflete em um
bombardeio de processos todos os dias nas Varas Criminais, sem que se tenha
dado tempo ou que se tenha havido aparato estatal para solucionar os muitos processos
antigos, que se acumulam nos armários e na velha conhecida “mesa do juiz”.
Enquanto isso, muitos acusados “aguardam”, presos provisoriamente, para “garantir”
a instrução – longa ou precária – do processo, ou para supostamente
salvaguardar a ordem pública, ainda órfã de definições objetivas.
Neste caos, eis que o que se
fizer para concluir o processo da forma mais rápida possível, nem que seja sem
nem haver uma instrução adequada, que permita efetiva defesa ao acusado, é aclamado.
Então, quando chega a notícia de que algum acusado já veio a falecer – na realidade
da justiça paralela, a das ruas, onde agentes estatais paladinos pré-julgam,
condenam à pena de morte e a executam, possivelmente após um caso de
resistência, no qual o sujeito curiosamente fora baleado nas costas, como muito
acontece – é sinal de alívio e até de alegria.
Punhos chegam a ser cerrados em
comemoração às mortes, que representam processos e trabalho a menos. O sorriso
se abre no rosto do atendente do balcão, passando pela diretora do cartório,
pelos assessores do juiz e até pelo membro do Ministério Público. Situação corriqueira, que quinzenal ou mensalmente se repetia. Triste
realidade. Vista de perto por alguém que ainda nutre (ou tenta) algum sentido
de humanidade na vida, e, independente disso, “apenas” deseja que garantias
constitucionais e internacionais, conquistadas ao passar de muitos anos (ou
séculos?) e períodos difíceis, sejam efetivadas.
PS: o senhor referido é um juiz
de direito.
sexta-feira, 15 de março de 2013
vai saber
isso aqui é a poesia
pra que escrever
e tentar enquadrar
o que escrito está
na paisagem do lugar?
a tarde cai
pintando de amarelo
manchando em tom avermelhado
esse lugar de arte banhado
no leito do rio
que não se vê
no olhar do mar
que contempla o largo
que admira a abundância
a brilhar de um lado
e aqui todo mundo apertado
sábado, 23 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
a menina do cocar
morena, só pra variar
"fruta de vez temporana"
saiu da melodia
cheia de malícia
bailava e jogava
sorria
sumia
e aparecia
se existia, vai saber
era do carnaval
trio do velho Moraes
canções de outros carnavais
pra toda a gente
um certo caos
a alheia alegria
muita informação
e o cocar era colorido
a calça, azul
a morena, mulata
o resto, preto e branco
era linda
veio umas três vezes
dispensava os rapazes
sapecava na avenida
tonteava todos eles
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
outros cantos
vou pegar um ônibus para uma Vida Nova
largar esses Aflitos
que só reclamam do Pau Miúdo
e da minha Nazaré
que não é cheia de Graça
e já não vai bem de Saúde
mas tenham Piedade
daqui de tudo Brotas
o Gil do Tororó
o Lázaro do Garcia
e até o filho do Seu Bororó
só que falta mais Liberdade
pra eu poder Amar a Lina
na Ribeira das Águas Claras
ou na levada das Ondinas
sem temer a Santa Cruz
caminhar por uma Mata Escura
sem se preocupar com Stiep
andando a pé até a Sé
onde aquela Barra
não me Chame
de Curuzu
eu quero outra capital,
uma Cidade Nova
uma Nova Brasília
que tenha mais verde
que seja uma Cidade Jardim
e que tenha um grande Rio Vermelho
ou, então, vou por um Caminho de Areia
sem Calçada para atrapalhar
procurando um bairro de Paz
onde não ameacem Matatu
e nem que eu tenha que beijar a Vitória
pra ficar com a Valéria
num Bonfim
vamos nos Mares brindar
tomando Stella Artois
domingo, 6 de janeiro de 2013
é dia na rodovia
Nasceu
nas borrachas de pneu
nas entrâncias do asfalto
nas fibras de carbono
mas nasceu
De peito aberto
gracejando o ambiente
com os traços de luz
desenhando a claridade
invadindo as nuvens
pintando tudo
de manhã
zélia e jorge
Perene
sincero
distante do presente
soava utopia
só para alguns
não aos dois
se completando
feito grãos de arroz
na brisa do bar
uma sombra
de uma exuberante secular
o silêncio fala de amor
e o declara ao vento
que sedimenta a crença
no anseio alheio
por algo verdadeiro
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