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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
ponto.
viagens duradouras
que passam à eternidade
quando belos cachos fazem
graça ao meu lado
no balanço, suingando
não sei se por conquista
ou por charme natural
então um mudo casual
aprecia deixando se encantar
com a flor que é levada sob os cachos,
estes morenos pacificamente perturbadores
o cheiro da simpatia exala
mas sorrisos e palavras não aparecem pra confirmar
resta perguntar
o "quê" ficou no ar
assim como o oi
que lá se perdeu
e ela levantou-se
e se esvaiu
nebulosa e repentinamente
tal como chegou
e a expectativa se mandou
furtiva
já não é novo
nem o caos do asfalto
aqui de novo
a lhe tirar da sessão das seis
terça-feira, 6 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
redicionário #1
Furtar-se:
É como se um cachorro puxasse com uma pata dianteira o próprio rabo e começasse a girar loucamente, desaparecendo repentinamente em velocidade, que nem o Sonic.
É como se um cachorro puxasse com uma pata dianteira o próprio rabo e começasse a girar loucamente, desaparecendo repentinamente em velocidade, que nem o Sonic.
domingo, 14 de outubro de 2012
inconsistência?
Eu quero
uma alma leve
e uma vida pesada
um sorriso de olho
e a língua política
Eu quero
um canto sutil
que brada feroz
sem perder o tom
de som rasgado
e melodia fina
Eu quero
a falta da antipatia
a unanimidade da primavera
e a sombra do novembro
sem importar a cor
se viva ou marrom
se lilás ou furtacor
uma alma leve
e uma vida pesada
um sorriso de olho
e a língua política
Eu quero
um canto sutil
que brada feroz
sem perder o tom
de som rasgado
e melodia fina
Eu quero
a falta da antipatia
a unanimidade da primavera
e a sombra do novembro
sem importar a cor
se viva ou marrom
se lilás ou furtacor
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Pão e circo
"O jovem quer ser adulto. O que o jovem não quer é ser como o adulto que ele tem diante dele: o adulto quadrado, chato, que não sabe viver, moralista. Um adulto realmente nada atraente, que possibilita a vivência de tudo, menos da emoção básica, o amor. Durante todo este tempo. nós tentamos mostrar no programa que existe um tipo de adulto que é detestável para um jovem que é razoavelmente saudável. Será que os jovens já disseram isso na música?"
Neste dia em que a esperança e a ingenuidade (consciente?) infantil reaparece tão saudosista, compartilho este trecho de um programa de Paulo Gaudêncio - hoje médico psiquiatra, consultor e palestrante - com um expressionismo tão simbólico, no ano de 1968, com as crianças malucas de outro planeta que surgiam tocando e cantando absurdamente bem.
E, como a juventude, pra mim, carrega muito do que foi formado lá atrás, e anda lado a lado com tantas características pueris, às vezes camufladas, nos sonhos e projetos de vida, o anseio de ser um adulto diferente, proativo, independente, pensador e questionador é, sim, o desejo por um presente que você quer se dar, seja nesta ou em qualquer data.
sábado, 8 de setembro de 2012
longitude
alguns dizem
quando platonizados
que estão perdidos de amor
só que, amor,
perdido eu estive
agora estou encontrado
com você aqui
do meu lado
domingo, 5 de agosto de 2012
Oxe como foi doce
Nas vibrações do dub, no suingue da guitarra baiana, na levada do groove, na batida eletrônica e na pegada percussiva, vi e senti uma das melhores performances ao vivo de banda baiana da atualidade, a da Baiana System.
Depois de muitos adiamentos, consegui ver um show. Uma musicalidade que já me despertou interesse no primeiro ouvir, que tinha um som muito experimental e interessante. Sem contar o guitarrista Beto Barreto, oriundo da banda Lampirônicos, que fez sucesso em Salvador quando eu ainda era menino - tá, nem tão menino - e que eu só pude curtir (e muito) por mp3, já que a banda entrou em um hiato sem fim já há um bom tempo.
O fato é que eu temia perder a chance de acompanhar mais uma banda com som original, que mistura o antigo, o novo e muitas vibes. Uns três ou quatro shows passaram e minha vontade de ir acabou não superando alguns imprevistos que me fizeram perder estes momentos. Mas, ontem, no primeiro sábado de agosto, com a banda voltando de uma turnê internacional, tocando no Pelourinho, na Tereza Batista, baratinho, não ia ter imprevisto certo.
Cheguei na expectativa de ver uma apresentação massa, mas não tão impactante como aquela, é verdade. O espaço completamente lotado. Todo mundo cantando tudo, uma energia surreal vinda do palco e também indo pro palco. A primeira impressão nem foi do som, que já rolava quando entrei, após longa fila. Foi a arte visual. Um jogo de luzes, cortinas, caixas, os símbolos em círculos e vértices, aquele azul doce dominando o palco, que te leva pra onda do show. Você já entra na lavada Baiana ali.
Somado a isso, o som chocou demais. De ficar de cara. Músicos que além de tocar de forma absurda, tem uma presença de palco excelente, que torna muito difícil - para não ser intolerante - não gostar do espetáculo que se forma em frente aos olhos, independente do gosto de musical que alguém que veja possa ter.
Nunca é demais falar do prazer que é ser surpreendido por uma banda boa em estúdio que é ainda melhor ao vivo. E isso, na minha opinião, é o diferencial musicalmente. Ser bom, ou até melhor, ao vivo, passar a energia da música. Fazer o público entrar na música, esquecer o mundo lá fora durante aquele momento. Em todas as letras, entreter.
Em "Oxe como era doce", encontro uma expressão perfeita para descrever a sensação do show: de boaça. Simples, simples, de boaaaça. Dá pra fechar o olhos e ficar a noite inteira naquela levada. O "tiririri teretê" é só um exemplo.
Transitando entre o rap, a salsa, o dub, a cumbia, o frevo, a percussão africana e nem sei mais o quê, a mente é desafiada e, no meu caso, de forma positiva. O rótulo, às vezes tão procurado, mesmo que de forma inconsciente, não vem, e você assiste a algo que se renova a cada música. A cada música do show, você curte ainda mais e a cabeça pode te perguntar o mesmo que me perguntei: "por que não viu isso antes, por que não veio antes, como poderia não ter vindo de novo?"
E óbvio que, além da banda, o público contribui muito. O fato de ter sido no pelourinho faz tudo ter mais sentido: as letras sobre a soteropolitaneidade, as casinhas como parte dos símbolos da banda, a baianidade safada que sai da guitarra baiana e as máscaras espalhadas pelo ambiente.
Algumas músicas mais aguardadas levam a galera ao êxtase, pra quem vai ao primeiro show, mais ainda. Sistema Fobica - com letra questionadora - e Barra Avenida - marcada pelo encaixe completo entre o agudo e o grave, tateando bem o carnaval - são só algumas dessas. Jah Jah Revolta, entoada como hino por todos, transita por melodias, com um arrepiante coral de "rastaman, vibration", que só vendo para ter noção real do quanto dispara a batida nas veias com esse que é um dos momentos mais épicos do show. E o mais incrível dessas descrições é que, parando para ouvir as versões em estúdio de todas músicas, nenhuma chega sequer perto à sua versão ao vivo. Excelente para quem acha que para se ouvir a mesma versão do estúdio, basta colocar o disco no rádio.
Em "Da calçada ao Lobato", aquele riff danado com uma percussão de salsa chama pra dançar. Todo mundo se bulindo, como diria qualquer baiano. O "Pio, Pio" e os "Hey" são sensacionais e te transportam a um outro show. É como se realmente cada música estivesse sendo um concerto de um ou três ritmos específicos. A poderosa versatilidade da Baiana System talvez seja o que mais agrada.
E, para completar, as músicas novas mantêm a qualidade, firmando a banda num cenário, que já transcende as fronteiras. Merece todo o registro o maior choque de energia da noite: "a Terapia a 1000 decibeis". Criatividade, ousadia e pluralidade em uma música. De uma suave e misteriosa introdução eletrônica a canção passa pra uma mistura sensacional de ritmos. Um arrocha "adubado" entra em cena, com uma letra cheia de manha, falando que "Há muito tempo eu queria te falar/Você não sabe o que queria dizer/I love you/I need you", além de um "tarará" usado na música durante a letra da forma mais "manhenta" possível. Em seguida, um pagode progressivo insano, com uma percussão eletrizante, toca a continuidade da música. Mistura sem preconceito musical e que trouxe resultado excelente. Levado pela mistura, o público dança três ritmos em sequência e, em certos momentos, ao mesmo tempo. Muito bonito. Visualmente, um jogo de corpos se balançado, como em coreografia, pelas sonoridades. Marcante. Uma pena ainda não ter encontrado em mp3 na internet. Fica um teaser, lançado pela banda em maio:
Reforçou o pensamento "não poderia ter adiado mais a vinda a esse show" e instigou a frequentar os próximos e a acompanhar ainda mais o trabalho da banda.
Sobre esse fantástico contato audiovisual no Pelô, diria que foi "um foguete, subindo que nem a porra!".
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Convite #1: Ode ao Rock
Quando o blog, ainda sob domínio opinião de outrem, completou um ano, em setembro do ano passado, dediquei o mês apenas para textos de amigos que desde o início acompanham, criticam e incentivam a ideia de mantê-lo ativo. Contudo, por diversos fatores, acabou não havendo as aludidas participações especiais, nem mesmo postagem naquele mês. Inesperadamente, hoje, ressurgiu aquela antiga proposta e um daqueles que foram convidados há dez meses atrás, escreveu especialmente para O outrem, dando sequência à ideia de um texto aqui postado exatamente há um ano: "Abre a porta, deixa esse Roque entrar".
Segue.
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Dia mundial do rock. Nada melhor do que um feriado
internacional para celebrar o melhor dos estilos musicais. Sim, o Rock´nRoll é
o melhor. Você sabe e eu sei. Afinal, nada mais peculiar a nós, roqueiros, do
que a velha e boa arrogância.
Hoje é dia de celebrar o ritmo que move pessoas, que
dissemina ideias e doenças. O swing que moldou minha vida e vai moldar a vida
de muita gente por muito e muito tempo. Por tudo que esse dia representa,
resolvi criar uma lista de músicas que me marcaram, como meu amigo Ramones fizera tempos atrás.
1. É muito bom ter conhecido música de qualidade
pela família. Desde muito tempo que a trilha sonora oficial de qualquer passeio
pelo carro do meu pai é SultansOf Swing. Música inconfundível, avassaladora,
animada e que eu detestava. Sim! Eu odiei quando escutei pelas primeiras vezes,
mas logo entreguei-me à essa maravilha.
2. Outra obra prima que eu escuto desde o começo
dos tempos é Hotel California, só que essa me conquistou desde a primeira nota.
Ela é uma das raridades atemporais, que te emocionará hoje, amanhã e sempre.
Não importa quanto tempo passe, essa música sempre estará entre as melhores,
porque música é emoção e isso é o que não falta nessa preciosidade aqui.
3. Meu primeiro cd foi do ET & Rodolfo, coisa linda. Adorava escutar aquilo, mas o meu segundo cd foi o que realmente marcou. Passei a conhecer um instrumento que nunca me chamara atenção, o contrabaixo. Aquele rock funkeado, ritmo único... Ainda mais com um clipe sensacional para essa música. Único.
4. Todos que começam a conhecer meu gosto musical sabem logo de cara qual a minha banda favorita, Queens Of The Stone Age. É uma paixão antiga, que começou quando eu via MTV todos os dias. No One Knows e Go With The Flow foram músicas que me seduziram na mesma velocidade que o crack prende um usuário, mas que a que conquistou foi First It Giveth. Perfeita.
5. Ok, eu só fui passar a gostar de verdade dessa
banda há pouco tempo. O problema é que se existe algo próximo da perfeição,
essa coisa chama-se Led Zeppelin. Não há nada mais rock`nroll. NADA!
6. Essa banda aqui foi a grande maravilha
descoberta no meu terceiro ano, quatro mil anos atrás. Logo se tornou uma
necessidade ouvir todas os cds, todas as b-sides, TUDO! Essa compulsão não
aconteceu por acaso. Como ficar passivo diante disto?
7. Eu, como apreciador do bom rock por completo,
gosto de metal. Dito isso, dividirei esse número em dois, a música que me fez
gostar de verdade do estilo e a que expandiu esse gosto ao infinito.
7.1. Simplesmente a melhor música
do mundo. Me fez gostar de metal e de literatura inglesa. Shakespere? Pff, Coleridge manda um abraço.
7.2. Porque um baterista cantando
assim não é algo comum...
8. Tem que aparecer algum rock nacional aqui,
claro. Vou representar duas pérolas em uma só música. Paralamas e Cássia Eller. Música de um, interpretação da
outra. Espetacular.
9. Quem não ama os anos 90? Super Nintendo
VsMegadrive. Nirvana Vs Pearl Jam. Só fui escutar muito tempo depois, mas essa
música me fisgou como nenhuma outra. Seria ótimo se eu pudesse sentir o mesmo
após escutar algo mais de cem vezes, pois bem, ela consegue.
10. Não tem como falar de rock e esquecer os anos
60. Nem preciso digitar muito, a música fala por si. Magnífica.
Por
Daniel Leite
Estudante de Medicina da Universidade Federal de Goiás, sonha em ter uma banda com a mulher e os filhos e adora viagem e suas situações constrangedoras
Daniel Leite
Estudante de Medicina da Universidade Federal de Goiás, sonha em ter uma banda com a mulher e os filhos e adora viagem e suas situações constrangedoras
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Travessão:
com tanto pra dizer, ficou mudo.
e ninguém ouviu
nem soube o que ia dizer
mas há boatos
que era claro
do que se tratava.
e ninguém ouviu
nem soube o que ia dizer
mas há boatos
que era claro
do que se tratava.
ella
passa a serenidade
finge a realidade
distorce o sonho
emana (a) paz
brilha os olhinhos
só por olhar
é a esperança
um rio calmo e que caminha
por entre belas árvores
abraçado por singelas margens
lindas, mas findo
e olhando
me perco
devaneio
acordo
da desilusão
e me iludo de novo
por uma velha graça
que teima em ressurgir
sempre original
finge a realidade
distorce o sonho
emana (a) paz
brilha os olhinhos
só por olhar
é a esperança
um rio calmo e que caminha
por entre belas árvores
abraçado por singelas margens
lindas, mas findo
e olhando
me perco
devaneio
acordo
da desilusão
e me iludo de novo
por uma velha graça
que teima em ressurgir
sempre original
terça-feira, 26 de junho de 2012
Os DJ's microempresários do Buzu
Pra quem reclamava dos DJ's freelancer que faziam ouvir as músicas que eles quisessem, agora eles querem que as pessoas comprem as músicas que eles ouvem.
Pois é. E em uma curta viagem fui vítima de um bombardeio de ofertas.
Pego o ônibus e, uns cinco minutos depois, entra um coroa distribuindo cd's com 160 canções de louvor a Deus, ressaltando os sucessos do momento - sim, estava escrito assim na contracapa do disco - e como seria bom tantos talentos em nossos ouvidos por apenas R$ 2,00. Nessa mesma hora ele dá play em um aparelho minúsculo que caía sobre seu ombro. Surgiu do nada aquilo e tocou umas quatro músicas, uma sobre o "dilúvio do amor".
Teve até uma boa venda. Pessoas que já gostavam e outras vencidas pela publicidade pegaram os seus.
O incrível mesmo veio logo depois. O cara desceu do buzu, subiu outro na sequência. Assim, de imediato. Com aquele aparelho de som Bronx 80'. E chegou efusivo: "Bora, galera! Eu tenho o que você quer ouvir. Os melhores sucessos internacionais dos anos 70, 80, 90 e 2000!" - E todo mundo com cara de meme olhando pra ele, ocupando toda a frente do ônibus com seus 1m90.
Só que ele foi mais direto. Deu play no rádio e, em um volume ensurdecedor, ecoou Adele - PQP - com Someone Like You, aquela... música nova. Tocou, tocou. Ele viu que ninguém reagiu. Aí, mudou de faixa... Para tu amor (que es mi tesoro...) - Juanes (?) - é, foi a cara de todos. E isso tudo em um volume absurdo. Incomodando mesmo... Mas o cara tinha boa intenção, né, vendendo o dele, tava eu pensando assim até ter que desistir de tentar escutar o áudio baixo e engasgado do disco de 74 de Cartola que tocava no meu celular.
Essa ficou pouco tempo, próxima: algo parecido com James Blunt, só que era uma mulher com voz de homem, e não o contrário. Muito constrangedor esse momento. O ápice daquele todo nonsense, até então.
Insistiu nessa, até que apelou: LOVE HURTS. Velho...
18h, pessoas caladas, caras fechadas, mais um dia, e cansativo, sós no seu interior, querendo chegar em casa. E, aí, vem essa canção escrota, ficou todo mundo na solidão forever.
Foi desnecessário aí com a galera. Mas depois daí, eu ri, sem conseguir disfarçar, o cara tava na zueira, tentando de tudo mesmo.
Outra canção clichê de amor de sessão da tarde - muito conhecida, cujo nome me passei - e o cara, firme e forte, tira da do bolso aquela canção do "dilúvio de amor" do coroa que passou primeiro. Aí não pude crer.
E com cara de "não é possível, pelo menos de Deus vocês tem que gostar". Mas, ele vacilou, coitado, todo mundo já tinha ouvido e comprado aquela música dez minutos antes.
Desolado, desce do carro: "Vou nesse aqui, motorista. Todo mundo com o coração muito duro, sem sentimento" - e já na calçada, falando pro buzu - "O povo aí tá com o coração fechado... mas, olhe, vai abrir! Eu sei que vai" - e deu play em Adele (imagina? Someone Like You) pras pessoas do ponto fazerem a mesma cara de meme away.
Fiquei me sentindo sem sentimento e coração de pedra haha. Quem sabe com Pablo da próxima vez?
E o ônibus seguiu seu destino. À espera do novo songpoper.
domingo, 10 de junho de 2012
por quê, limão? disse o mel
algo está mudando em você, meu caro
que sempre achou entender de si
que pensou prever os atos
seja qual fosse a música
mas a melodia surgiu diferente
não encontrou letra para acompanhá-la
só dançou, torto, todo entregue
a quê? você fingiu não saber
o fato é que cê não soube agir
agora que aconteceu
como você nem imaginou
distraído que estava
foi alvejado
pensou estar perdido
que não devia ter sido fraco
mas ela veio talvez por isso
e te fez perguntar se veio com ingenuidade, malícia
ou nada disso
sem pedir, absorto,
iludido, se conforma
que a vida tem dessas,
como dizem,
pega na surdina
vem na maciota
e a acidez pode,
em vez de neutralizar,
machucar o mel
e fazer da sua doçura fel
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Dois altos, Café com leite
Com a malícia habitual, ela se reaproximou
Soltou os cabelos, botou aquela camisa
E chegou falando triste das coisas,
meio desanimada e levemente chateada
Totalmente manipulado, ele caiu no papo
Conversou sobre a vida e falou do futuro
Mas falou por falar
Não conseguia tirar o pensamento do jeito dela:
Sutil e muito forte
Autêntico e indefinido
Simpaticamente apaixonante
E os olhinhos dela? Brilhavam só por graça
Aqueles braços cruzados passavam segurança
Mas a cabeça meio caída prum lado revelava alguma incerteza
Seus lábios,quando ele os viu, não mais parou de admirar
Faziam biquinho durante a fala
Faziam biquinho até com a boca calada!
De forma singela e com certo ar subversivo
Quando ele se ligou,
Ela já falava de Elis
E, sem saber onde ela queria chegar,
Fingiu sabê-lo
Aí ela falou de um som que ia rolar
Ele disse que ia colar
E, distraído, pensou ter ouvido "vamos"
Então, sem sorrir, sorriu
Ela retribuiu o sorriso
Daquele seu jeito
E cheia de manha
Disse um "até", chegou mais
e o beijou na pontinha bochecha
só para se despedir
O rapaz, bobo pelo momento, ingênuo pela vida,
ficou, então, confuso.
Soltou os cabelos, botou aquela camisa
E chegou falando triste das coisas,
meio desanimada e levemente chateada
Totalmente manipulado, ele caiu no papo
Conversou sobre a vida e falou do futuro
Mas falou por falar
Não conseguia tirar o pensamento do jeito dela:
Sutil e muito forte
Autêntico e indefinido
Simpaticamente apaixonante
E os olhinhos dela? Brilhavam só por graça
Aqueles braços cruzados passavam segurança
Mas a cabeça meio caída prum lado revelava alguma incerteza
Seus lábios,quando ele os viu, não mais parou de admirar
Faziam biquinho durante a fala
Faziam biquinho até com a boca calada!
De forma singela e com certo ar subversivo
Quando ele se ligou,
Ela já falava de Elis
E, sem saber onde ela queria chegar,
Fingiu sabê-lo
Aí ela falou de um som que ia rolar
Ele disse que ia colar
E, distraído, pensou ter ouvido "vamos"
Então, sem sorrir, sorriu
Ela retribuiu o sorriso
Daquele seu jeito
E cheia de manha
Disse um "até", chegou mais
e o beijou na pontinha bochecha
só para se despedir
O rapaz, bobo pelo momento, ingênuo pela vida,
ficou, então, confuso.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Impressões sobre um 19 de março atípico numa Faculdade de Direito.
Impacto. Essa pode ser a primeira palavra pra tentar descrever o que ocorreu na FDUFBa hoje. Seja perante os próprios estudantes, perante os professores ou perante à universidade. Em uma faculdade sempre (auto)criticada por estar absorta de muitas discussões, por historicamente não ser integrada a um corpo estudantil de universitários, enquanto universitários e não somente futuros profissionais, e por ser internamente desunida, contudo, com uma evidente representação de estopim, por um momento, tudo isso se subverteu.
Todas as istituições, e quem não é de nenhuma delas, além de formandos, calouros, intercambistas - não, esses não - conseguiram de modo, sem o medo de exagerar, exemplar, conseguiram por muitas possíveis diferenças de propósitos, ideologias e interesses de lado e se mexer pelo motivo mais justificante de tudo que se tente pensar em uma universidade: os estudantes. O foco maior foi esse, seja quem está nessa categoria agora ou quem vai estar. Simplesmente, chegou a um limite a inércia muitas vezes irracional do estudante de direito. Por ora, saturou-se.
Problemas em grau absurdo que inviabilizam totalmente a continuidade de uma educação minimamente de qualidade deixaram de ser propositalmente invisibilizados. É certo que foi preciso atingir algo que pode nem ser tão legítimo nos moldes atuais propostos, como o trote, não querendo torná-lo irrelevante. Precisou haver um estopim com esse naipe pra fazer se mexer a Faculdade de Direito da Ufba. E como ele serviu. Em uma assembleia mais que lotada, ineditamente organizada, as discussões sobre a farra administrativa daquela unidade e a falta de condições básicas para se frenquentar uma Escola se sobressaltaram. Durante as quase quatros horas de mobilização os seus reais motivos ficaram bem claros. E o diretor? Se queimou como pode e ainda saiu falando pelos cotevelos que o movimento é "nosso" e que ele "apoia" a iniciativa.
Por isso, que ao final desse primeiro momento, muito se disse: surpreendente. Esse texto pode ter claramente o reflexo gramatical do espírito utópico - ou pós-utópico - que esse dia deixou deixou em muitos dos que o vivenciaram. E eu sei que daqui a uns meses posso nem acreditar nisso tudo. Enfim, importante é registrar.
Ocorre que os objetivos, simplesmente, convergiram. Algo tão, tão impossível naquela faculdade. Ou não, quem sabe. Os próximos dias estão pra ser tão importantes quanto. Aguardemos.
Tava todo mundo unido. Foi bonito de se ver.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Ensaio sobre um amor repentino.
Era fim de tarde. Aquela faixa de luz solar descia em diagonal, esquivando-se dos prédios e cruzando a rua. Mais um dia cansativo. Decidi me enconstar numa mureta do ponto de ônibus. Só que nunca me encosto; prefiro sempre ficar em pé e cansado para ter noção de tudo que está rolando. É uma paranóia. Mas nesse dia, tava ouvindo uma música boa no rádio e relaxei total. Ao meu lado, uma pilastra que segurava a cobertura da parada de ônibus e, em frente dela, uma senhorazinha muito simpática vendendo doces e pipocas. Do outro lado, um casal colegial aos amassos.
Eu deixei tudo pra lá e curti o som que saía dos fones e me distanciava do mundo exterior. Quando a bela canção terminou, voltei à realidade e levantei a cabeça. Meu busu ainda não tinha passado. Mas olhando pro caminho do qual ele viria, eu os vi, em movimento: cachos pretos, lindos e surfantes. Olhei direito. A pilastra quase esbarrava em minha face. Meu olho esquerdo que conseguiu ver a metada da moça. Como uma obra de um desenhista misterioso, só os cabelos pude ver. Só que nem precisava ver o rosto, ela era linda. Só podia ser linda. Seus cachinhos dançavam ao som de "A menina dança", dos Novos Baianos, que tocava em meu celular. Tudo meio clichê, meio criado por um blogueiro solitário e bobo, foi isso que pensei. Mas foi isso que aconteceu. Não era estória de internet. Ela tava ali. Me esticando um pouquinho pude vê-la mais. Vi o nariz e a boca saltarem as ondas capilares para me saudar, como que se quisessem acabar com minha desconfiança, me dar certeza de que a beleza dos cachos cobriam outra beleza maior ainda. Me encantei. Tanto que tive que parar de olhar. Se não, eu podia me apaixonar. Tolo. Isso já tinha acontecido. Voltei o olhar para a senhorinha vendedora de pipocas. Simpática, sempre solícita com todos que queriam saber seus ônibus para chegar aos seus destinos. E eu ali, já sem rumo, nem lembrando que esperava a minha condução. Olhei de novo. Vi seu rosto, seu corpo todo, enfim. Ela se colocou de um jeito que driblou a pilastra. Parei novamente de olhá-la. Palpitei e simplesmente parei de pensar. Exato, nada mais passou na minha mente. Ela virou um vácuo. E o medo de me apaixonar, sabendo que era algo inevitável, não superou o de facilitar que os olhares se cruzassem. O que nunca ia acontecer. Ela, congelada, mirava com um olhar retilínio um lugar incerto. O que a tornava mais bela.
Enfim, quando virei o rosto novamente, ela tinha sumido. Um sensação estranha me corroeu por dentro. Só mais a frente, meus olhos a encontraram, quase no meio-fio, fazendo sinal para o próximo ônibus. Com a outra mão segurava um livro. Era tudo que levava. Tentei, mas fiquei sem saber qual era.
E, assim, vi aqueles cachos dançarem loucamente para subir as escadas do ônibus, me dando adeus. E então o carro partiu. Ao passar, procurei a moça dentro dele e não achei. Se era real, não sei. Mas eu a vi. E, em segundos, perdi a décima quinta mulher da minha vida de um jeito efêmero e já habitual.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Estado de site.
Quinto dia de greve da Polícia Militar na Bahia. O país todo já sabe. Só que até quinta-feira, não tinha havido maiores problemas. Deu até pra curitr a festa de Iemanjá, que foi bem policiada e, tradicionalmente, elegante e divertida. Enquanto o caos começava a se instalar naquela tarde, alguns lá cantavam e sambavam até o pôr-do-sol, até o sol se esconder atrás da imagem daquela santa... Com parte da própria Polícia causando desordem, misturando-se aos bandidos que sentiam a liberdade mais tenra, a população largou trabalho e diversão e foi se enclausurando, a ponto da praça da Dinha não ver nem pombos na noite de sexta-feira.
Após treze mortes em seis horas, vários saques e queixas, além do silêncio que já lhe é habitual, o governador Jacques Wagner agiu. Com braço forte e sem mão amiga. Tudo foi bonitinho relatado em pronunciamento à tv e ao rádio. Com semelhanças à política carlista, com suas devidas proporções, mexeu os pauzinhos do Estado pra "devolver" a sensação de segurança. Jogou os grevistas contra todo mundo, propagandeou sua relação com a presidentA e trouxe os queridos das Forças Armadas. Desse momento em diante, uma imprensa que não existia, que estava calada, surda e cega, há três dias, apareceu. Gritou e repetiu inúmeras vezes a tática de guerra do governo contra a grave e suas circustâncias. Que era necessária uma medida rápida e enérgica do governador, é fato. Porém, a "forma" - tão falada para diminuir as exigências dos grevistas - utilizada por JW também não foi lá um primor.
Wagner voltou de Cuba e sei lá mais de onde, dizendo que não tinha nem ia ter acordo com ninguém, que os policiais tinham que voltar a trabalhar e parar de baderna. Pois é. Muitos ocupam, desde terça, a Assembleia, aguardando qualquer representante do governo que lhes ouça. Se a greve é ilegal como a justiça decretou, quase todas tem sido assim ditas. Só que alegando isso, quem diria, o governador disse só negociar com o fim do movimento. Eu sei que não adianta invocar o Wagner de ontem pra falar do hoje, mas ele tem sido um completo indiferente para as questões tão sérias que reivindicam os grevistas. É um problema já cantado há alguns anos - talvez até desde 2001 - e que ainda pode voltar pior no futuro. Não adianta só botar exército na rua e dá ordem pra Choque invadir a Assembleia e tirar de lá os pm's à força (que bem deviam sentir um pouquinho do que é isso, aqui prá nós, apesar de não ser o certo). Ministro da Justiça desembarcou aqui, com pose, estilo e comandante do Estado-Maior, falando em "reserva de vagas" nas cadeias federais para criminosos contra a lei e a ordem. Militares desfilam pelas ruas para algo que não foram de modo algum treinados e se espera tranquilidade com isso. Não. Eu corro tanto risco quanto qualquer meliante. Esses caras de fuzil estão bem para sair nos 15 minutos de telejornal diário, mas não para confrontar os crimes "do dia-a-dia" ou lidar com ostensividade e prevenção. Vai sobrar bala e desproporcionalidade. Além do mais, uma hora, os não tão desejáveis, mas necessários, em certa medida, terão que voltar. E para isso, merecem condições dignas de trabalho - que não tem - inclusive para não subverter ainda mais a moralidade da segurança pública, confundido os lados do bem e do mal nessa terra da liga da justiça.
Enfim, hoje, sábado, após a perda de um ex-grande fim de semana, prometido há três semanas, que teria Karina Buhr, Moraes Moreira, C. Brown, Pepeu e Criolo (e Silvano Salles, o mito), todos em três dias, entre cancelamentos e adiamentos, um terço do facebook está online e as férias se veem tristes neste dia. Moraes não temeu e tornou o fim de semana de toda a Salvador só dele, além dos saqueadores. Não adiou o show, que não terá mais Brown, mas terá a alegria que anda faltando desde o dia 2. Eu o considerei corajoso, sabendo que é temível este adjetivo, porque não é caso de nos submeter tanto assim à "guerra psicológica", nome dado por Wagner enquanto jogava Call of Duty, na certa (todavia, mesmo considerando trinta homicídios em dois dias, por rixas anteriores, em sua maioria, e ocorridos nessa hora "conveniente", o sentimento "Walking Dead" é muito a gente quem faz, se amarrando nos fios invisíveis da rede mundial de computadores). E o engraçado é que, apesar disso, eu estou aqui, enquanto rola um som, que não deixa meu pé sossegar, se mexendo involutariamente, vindo da tv que transmite ao vivo um empolgante show no Largo 2 de julho que eu iria, mas fui fraco e ainda me privo, neste momento, dos meus direitos de locomoção. Pelo menos eu escrevi esse texto pra diminuir o tédio, seja aqui ou na Alemanha (rs). Com o show, não haveria o post - não é convincente, ok.
Apesar de erroneamente aqui sitiado, a bondade do site da tve me faz fingir ser transportado pra onde os baianos devem sempre estar: nos largos, nas praças, nas praias, na alegria, que vem deles mesmos.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O teto de espuma
Ele sobe
Sobe
Para!
Ondula
Trepida
... e
Ondula
Trepida
... e
Cai!
Desce
Mais
Desce
Mais
e
Para!
Para!
Dor de cabeça de cansado de atordoado de quem aguardou, mas não viu chegar.
Só que aí você percebe que seus olhos estão ainda no lugar, mas o peso de um cérebro está sobre eles. Daquele mofado, cheio de problemas na mente, de pensamentos vazios, mas nem por isso leves, de uma gravidade anormal. A testa, o chapéu, a nuvem, tudo caiu. Seus olhos vão se fechando, mas nunca se fecham! Há alguma coisa lá fora que não deixa eles sossegarem. Que os deixam à espera... e não passam pra você ver.
Mas o quê? Quem?
Será que é isso a fazer?! Olhe, apague essa luz, se enxergue mais e veja que tem muita coisa esperando ser vista por você.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Salvador e você - 2012 e 2008
Eu tô cansado de reclamar só de João Henrique, de chamar ele disso ou daquilo, de divulgar suas palhaçadas sob o título de prefeito de Salvador. Está entalado na garganta também o meu desprezo por você. VOCÊ que elegeu esse cara em 2008. VOCÊ que fez daquela eleição municipal uma das mais escrachadas e descompreendidas, que mesmo após os quatro primeiros anos vergonhosos de governo, nos quais ele demonstrou inúmeras vezes despreparo para administrar, decidir e planejar, ou seja, governar, além de ter sido já naquela época "eleito" - popularmente, não por pesquisas, apesar destas terem dito o mesmo - o pior prefeito de capital do Brasil, deu o seu voto a ele, colocou em suas mãos um futuro - composto do presente angustiante e dos próximos anos de caos ambiental, social e estrutural que viveremos. Quem viveu em Salvador em fins daquele ano sabe que o clima de "?" imperou nas rodas de conversas de toda essa cidade. O porquê da vitória de João Henrique até hoje pode ser indagado. É como se quem tivesse votado, no dia seguinte já estivesse com tamanho cinismo ou tamanha vergonha a ponto de também indagar porque ele tinha vencido com tantos contras e tantos comentários populares negativos a seu respeito. Não era um grupo ou dois. Em Salvador, para a maioria das pessoas com quem se conversasse era nítida a revolta pelo governo 2005/2008 e a "certeza" de não renovar tal candidatura de JH. Pois, então, a dúvida daquela vitória passou, talvez a lembrança de quem votou, e suas razões, também tenham facilmente se esvaído, mas a cidade de Salvador e sua população... essa não passou. Está aí, se passando, com tanta desordem e falta de cuidado, se tornando cada dia mais indesejável, desagradável e imprópria já pra geração de hoje... E não posso nem citar a de amanhã, pois essa cidade pode estar ainda mais arruinada, a ponto de uma pessoa dos nossos dias não ser sequer compreendida quando falar na atual Salvador daqui a outros dias.
Fica uma lembrança pra "você", já que este ano teremos eleições municipais novamente, sendo certo que não podemos prever o futuro, mas podemos (e devemos), muito bem, estudar o passado.
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