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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O compromisso socioambiental da Rede Globahia


A Rede Bahia de Televisão acaba de receber o Prêmio Embratel de Responsabilidade Socioambiental em virtude de uma reportagem do jornalista José Raimundo. Tal organização, que se passa de imprensa, já provou diversas vezes quais os interesses pelos quais militam e quais realidades lhe apetecem noticiar ou distorcer. Em 2007, um desses inúmeros ocorridos ganhou projeção nacional e também ganhou  - o tão desejado pelas filiadas à Rede Globo - elogio "estarrecedor" de William Bonner. Uma grande reportagem, daquele mesmo José Raimundo, foi montada, com fraudes perceptíveis à primeira vista e com uma produção e edição estranhamente posta, principalmente no tocante às entrevistas. Com base nesta reportagem, uma Juíza Federal acatou um pedido de liminar que suspendia um processo do INCRA que implicaria no reconhecimento definitivo de direitos da comunidade quilombola em questão, apoiado em um instituto do Código de Processo Civil chamado de "Fato Notório" - que é de conhecimento geral e dispensa prova em contrário! Um tempo passou, as informações foram engolidas e o ataque à luta da comunidade, mantida. Somente em 2009, com a já nítida e incontestável falta de caráter jornalístico da reportagem ensejadora da distorção aludida, o Juiz Federal da 7ª Vara Cível e Agrária, Wilson Alves de Souza, suspendeu tal liminar. Hoje, com a Apelação impetrada à tal decisão, o processo encontra-se à espera de julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

É de grande relevância o curioso embate sobre Posse e Propriedade, tendo em vista que legalmente ela é indiscutível no tocante às comunidades remanescentes de quilombolas, que não chegaram à região (principalmente em Cachoeira, no recôncavo baiano) ontem ou anteontem, além do exaltado e desde 1988, critério de autoatribuição dos quilombolas como garantidor do exercício de seus direitos, incluídos os de não remoção e propriedade da sua terra. Sagaz o fato de os pretensos descaracterizadores do Quilombo, que detêm o poder econômico na região e que colocaram o poder midiático no seu bolso e usaram a seu favor, através de meios coloniais, como a coação por intermédio de jagunços armados, para a consecução de seus interesses, não figurarem como parte processual no litígio da Ação Cautelar perante à Justiça Federal, salvo em posteriores Ações de Reintegração de Posse.

Essa breve reflexão de um fato que não é do passado, é presente e futuro, por poder causar ainda efeitos socioambientais e culturais devastadores para a região mais afrodescendente da Bahia, serve de alerta para a constante percepção de como o controle da informação, por ditas mídias, premiadas e valorizadas, com grande alcance de público, pode influenciar negativamente no processo de construção de uma sociedade justa e igualitária, e contribuir para manutenção da antiga cegueira de parcela significativa da sociedade e do Estado-juiz em relação aos mais excluídos da realidade fictícia que passa todos os dias na sua tevê.

Reportagem


Direito de Resposta



O senhor Altino e a Dona Maria, juntos no final do último vídeo, faleceram na mesma semana, a última do ano de 2008, após várias ameaças de sujeitos armados para que deixassem suas casas.






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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apoteose estatal

Na aurora desta terça-feira, oito de novembro de dois mil e onze - sim, onze - a Polícia Militar do Estado de São Paulo em maçante comboio chegou à Reitoria da Universidade de São Paulo para cumprir uma ordem judicial de remoção dos estudantes que a ocupavam, em protesto, há uma semana. Quatrocentos homens excessivamente armados, seguidos por cinquenta viaturas, um esquadrão anti-bombas, anti-discurso, anti-razão, um helicóptero, grupamentos de operações especiais e "caveirões", foi o aparato que o Estado considerou como ideal e proporcional para a retirada de estudantes em causa universitária do prédio da reitoria. MENOS DE UMA SEMANA. A resposta do reitor da USP aos protestos, o seu "diálogo" e o seu interesse em discutir as reivindicações seriamente e dirimir o conflito - cuja causa é, sim, urgente e seguramente relevante - veio com uma Ação de Reintegração de Posse movida em face dos estudantes e com liminar cumprida, tudo isso em menos de sete dias. Resolvida toda aquela balbúrdia. E o Poder Judiciário? Moroso, lento... para quem? quando resolve o quê? Ante à maior celeridade quando o litígio envolve posse ou propriedade - ah, a propriedade... -, a resposta do órgão judiciário foi instantânea, ou melhor já estava decidida antes da sua provocação. Prédio reintegrado, setenta e tantos estudantes detidos e à espera de um indiciamento. As reivindicações saem de foco, a autonomia universitária... bem, ela já não estava lá, mesmo. A criminalização estudantil só ganha força. Os estudantes algemados - por notoriamente terem resistido e oferecerem grave ameaça à ação policial, composta por quatrocentos policiais - são tratados na mídia como badernistas, militantes sem causa, drogados e farristas, alimentando a massa que a assiste, lê e ouve. Com o apoio dos maiores grupos de comunicação, únicos acessados pela maioria dos brasileiros, todo o caso que começou lá atrás a ação truculenta contra três jovens que supostamente estariam consumindo maconha, quarenta anos após a invasão da PM à USP, vem sendo engolido como mais um ato de uma fase rebelde "aideológica". É o orgasmo da velha direita paulista que cerca um dos últimos feixes de pretenso movimento estudantil de esquerda no estado. Com direito à declaração do governador de que os estudantes devem aprender sobre democracia... sim, Alckmin, falando em aprender democracia, viva o Partido da SOCIAL DEMOCRACIA! (como a história mesmo confirma). E morte aos movimentos sociais e estudantis que trouxeram "de volta" essa ambígua democracia em 1984/5. Antes vivêssemos declaradamente alá George Orwell.



"Nada de novo no front
E na retaguarda também"




Continua...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Infância Adulta

Quando o teu sorriso irradia esperança
enquanto só há rotina e desencanto

Quando brilha o olhar
só pra ver
e só por viver

E não deixa o tempo mudar
o que desde cedo se pôs lá

Quando cresce sem perder a energia
condutora alegre da simpatia

De quando criança
que hoje ainda dança

Encontrando o azul no cinza

Sagaz vai
Envelhecendo à juventude

Ela esperta
Sempre desperta

Aquela magia
que lhe é do dia-a-dia


:]

sábado, 22 de outubro de 2011

Defendendo o indefensável?

Rafinha Bastos é o novo alvo da moralizada sociedade brasileira.  De fato, a piada em detrimento de Wanessa Camargo (antes de ser do marido dela) foi lamentável por conter uma representação de valores não desejáveis – em certa medida – e ter por ter demonstrado falta de mínimo respeito, não só com a senhora, mas com os próprios espectadores. Todavia, a questão é: humor tem limite? Se tem, quem o delimita? A saída do apresentador foi devida?

A intriga implica em antever três aspectos.

Um: O Custe o que Custar passa por uma fase de queda de qualidade advinda da não mais tão efetiva pressão política que o programa costumava oferecer, inclusive por reportagens (hoje, fracas) no Congresso Nacional, que são o ponto alto da atração e o motivo que levou à conquista da admiração de muitos brasileiros – sofrendo por isso forte pressão da produtora argentina que já duvida da sequência do programa. Simultaneamente, o prestígio percebido pelos integrantes do CQC, considerado além de jornalístico, o melhor programa de humor, para muitos, elevou o ego de muitos deles, como, aliás, acontece quase sempre com quem conquista um sucesso repentino e crescente. Com isso, piadas egoístas e meramente gratuitas em tom depreciativo, certas vezes, foram gastas e manteram a boa audiência e suas risadas.

Dois: Rafinha, assim como Danilo Gentili, sempre foi conhecido por um humor diferenciado. Que não tinha limites nem compromisso com uma ideologia representativa do programa. Inclusive, acompanhando o CQC desde sua estréia em março de 2008, é visível que ambos foram contratos justo por assim serem e pelo sucesso dos “stand-ups” que seguiam essa linha. Rafinha, que é judeu praticante e de família judia, “judiou” incontáveis vezes com piadas sobre judeus, e Danilo, tinha como um dos grandes alvos de piadas, a sua própria mãe. E, ainda que desagradando a muitos, perseguindo até os que se demonstravam mais intolerantes às suas piadas, como Preta Gil e Luciana Gimenez, seu sucesso e prestígio dentro e fora do CQC só aumentaram.

Três: A mágoa que fez efeito. Não foi a de Wanessa. Nem a do seu feto. Foi do seu esposo que usou de seu poder financeiro e contato com outros que também o tem para incutir – em virtude de patrocínios importantes ligados à emissora -, mediante pressão, o sentimento de responsabilidade do programa pelo ocorrido. A indignação do homem marido da senhora Camargo e o fatídico comentário crítico de seu amigo Ronaldo Nazáreo foi o que puramente afastou Rafinha do CQC. Em nenhum momento, meus caros, foi perceptível que a piada machista e de mal gosto do apresentador foi o que o fez sair, simplesmente. Machista foi inclusive o processo de seu afastamento, chegando ao ponto do Custe o que Custar pedir desculpas ao ofendidO pai da criança.

O descontentamento aqui exposto não é de tanto discordante com o julgamento da conduta de Rafinha Bastos, mas da conduta da Rede Bandeirantes (que levou à hipócritas comportamentos de Marcelo Tas e Marco Luque e até a censura de um tuíte de Gentili pró-Rafinha), sempre condizente com ele fazer outras piadas muito, muito mais ofensivas no CQC e por o ter, até então, como certa jóia dentre os sete (sem contar Tas), por ele também ser o único jornalista no programa, por ter opinião própria (e crítica) – lembrem da “Liga”, sua proposta e sua resposta do público, e da insistência de Bastos em não deixar morrer o quadro "Proteste Já", político e interativo, cada vez mais sem espaço diante do humor leve - e nítida independência funcional, digamos assim, separando do seu jocoso eu lírico a sua identidade. E por este último fato, e nestas circunstâncias, o humor pode, sim, não ter limites. Deve ser limitado no tocante à reprodução intencional e, principalmente, persistente, de estigmas e rótulos dignos de repúdio. Diante do caso descrito e genericamente, a minha opinião é que o humor de Rafinha Bastos e Danilo Gentili não representa uma perseguição à manutenção de juízos discriminatórios, não podendo se chegar a essa conclusão assistindo a um puro caso de qualquer dos dois e eivado de pré-conceito inferiorizante.

A atitude de Rafinha Bastos não me pareceu nem um pouco engraçada, nem adequada sequer ao contexto lúdico do momento. E, sim, um erro em tevê aberta de projeção nacional pode ter conseqüências indevidas na formação de quem o assiste passivamente. Assim, ele deveria ser repreendido. Mas não da forma que foi e por quem de fato foi.

domingo, 14 de agosto de 2011

Olho por dente?


No último mês de julho, o que ocorre cotidianamente foi filmado por um mototaxista e, logo, enviado a emissoras de TV baianas, causando um rebuliço e um momentâneo apelo por direitos humanos, sendo em algumas delas, até controverso.

O fato: Um suspeito de furto foi perseguido por dois agentes de trânsito e alguns indivíduos. Após ser imobilizado e algemado... veja no video:


É constrangedor você viver em um Estado, supostamente Democrático de Direito, em que antes dele executar - equivocadamente - o seu poder de punir, a potencial justiça é feita por todos que se acham no direito de fazê-la, em moldes similares a tempos indesejáveis já vividos por este país. Não é preciso estudar ou aplicar o Direito para saber que cada um deve responder adequadamente pelo que fez, ou supostamente fez. Polícia judiciária e Poder Judiciário, pra que vos queremos? Não me afeiçoo com nenhum. Porém, instituídos estão para que eles cometam as (des)proporcionalidades em nome do Estado. Se o julgamento é feito instantaneamente, para que um devido processo de uma instituição, em desenvolvimento há seculos, para julgar, né?

Não estou como um utópico defensor dos direitos humanos tentando contra a maré. Mas a maré está errada.  Assim como, majoritariamente, é a favor da pena de morte, a população brasileira é a favor de que todos os "vagabundos" sejam torturados e espremidos até o vazamento da sua última gota de sangue. Esquecendo-se muitas vezes que, apesar de muito errado estar nesta seara, o Estador é o árbitro dos conflitos frutos de um estado natural do bicho-homem, os cidadãos - talvez por estarem revoltados com aquele - creem que, no clímax do delito, o que vai resolver todos os seus problemas será a violência gratuita e, por que não, a devolução do mal na mesma moeda. Sim, eu disse gratuita. Porque em nenhuma ocasião o revide de três, cinco, quinze ou vinte contra um será justo. 

A imprensa muito extraiu desse vídeo, conseguiu o afastamento dos agentes de trânsito e os criticou severamente. Eu não concordo com a afirmação dos agentes de que eles usaram apenas a violência necessária para imobilização do suspeito, as imagens falam por si. Porém, o que não vi se questionar é o que mais me preocupa e o alvo desse texto. O terceiro sujeito, representante mais simplista da "população" que citei acima, autor de uma atitude completamente repugnante. E seus comentários, desde o início do vídeo, são as opiniões da massa - independente de ideologia ou classe social - brasileira. Isso me constrange. Viver em um Estado formado de indivíduos perfeitos e honestos que se veem profundamente insultados quando uma ovelha negra, completamente não-condizente com o ambiente em que está inserido, vai de encontro a tal adequação, devendo eles expurgá-lo. Simples e fácil. Matem todos. Talvez o nosso país deva aprender um pouco com uma atitude dessas:

http://www.youtube.com/watch?v=K-EIFAeNumI - Em um Estado em que a Lei de Talião é legítima, não veladamente como no Brasil, mas explicitamente, encontramos exemplos como este. E,ainda sim, foi punido. Mais adequado ao que tanto se pesquisou para se aproximar de algo inatingível que é a justiça. Se nada repara o dano, não vamos (re)provocá-lo.

Curiosamente as duas notícias eclodiram na mesma semana, tornando impossível o outrem - que intitula este blog -, ávido por críticas aos Direitos Penais, ficar calado.

Houve um tipo de imprensa, um tipo sujo, que também foi destaque em Julho passado. A imprensa sensacionalista baiana que se alimenta e te alimenta na hora do almoço, com a mesma postura do anônimo agressor resolveu desequilibrar sua balança de olhos da justiça para o outro lado. Um jornalista de prenome José Eduardo, famoso por incitar a violência recíproca e execrar os acusados de crimes, quando algemados e expostos nas delegacias, talvez ainda imbuído pela "trágica e inesperada" morte da sua lenda Kelly Ciclone - ícone por namorar inúmeros traficantes de Salvador e ex-pré-candidata a vereadora -, derreteu-se em defesa   deste sujeito agredido no vídeo, garantindo o seu lugar no céu, segundo afirmou Edir Macedo, seu patrão.

No Irã, em um caso isolado, a cegueira não foi completa. Aquela que estava cega pôde ver.

E aqui, onde vivemos? E aqueles que "vendo, não veem"?


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Como um jabuti


Olhos fechados, cabeça aquecida. Frágil. Encoberto. De terra, de ar e de pó. Agora removem o doce cobertor. Algo novo me empurra, me acha, me cerca, me agarra e me eleva. Estou subindo, em parábola, tentando por a cabeça para fora, tentando entender. Ai, a luz! É forte. E nem abri os olhos ainda. Sou levado. Não sei pra onde nem de onde. Desci. Solto estou novamente. Pude, após tanto balanço, com calma, olhar e ver... o mundo. Esse novo mundo, que pela primeira vez vejo. Mas nada vejo. Continuo cercado. Agora por paredes enormes e da mesma cor. Meus movimentos são lentos; na verdade, estou descobrindo-os agora. Pouco tempo depois, desce agarrado por ganchos estranhos e ágeis um novo eu. Mas não sou eu, parece comigo. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Abre a porta, deixa esse Roque entrar.

Diante da impossibilidade prática de concretizar a ideia inicial de contar cronologicamente histórias dos primeiros contatos não esquecidos com esse senhor, vou apenas contextualizar algumas delas.

1. Devia ter uns seis anos quando, em férias escolares, assistia um filme na sessão da tarde (old but gold). Excelente filme. Classicão. Me identifiquei. Mas, existem alguns minutos nele que são uma película dentro do filme. Como um clipe não feito à época da música e marcante para uma criança que se impressionava com a malemolência daquela música.


2. O ano talvez fosse 1999. A rádio: globo. Eu tinha o hábito, em dias aleatórios, de passear pelas rádios à procura de músicas boas, depois de tomar aquele velho banho pós-colégio. Eis que assim que sintonizo a 90,1, um som pacífico e doce emerge junto a um piano (meu instrumento preferido à época) e uma voz de sir     inconfundível. Eu já a conhecia, mas depois deste momento, que me hipnotizou, sentado à cama, em frente ao 'microssistem' (nem sei escrever aportuguesado isso), o meu gosto musical foi de fato definido.     
         

3. Em algum dia da minha infância, um vizinho, uns quatro anos mais velho, que tocava violão, veio mostrar qual a música que ele aprendera. Eu, bobo, perguntei ao final de quem que era. Ele me respondeu um nome estranho de banda. Mas que a partir dali invadiu o leitor do meu rádio...


4. Essa, com precisão, eu digo que foi em 2002. Voltei do colégio, na minha quinta série, liguei na mtv (aquele velho Central Mtv), como todas as tardes àquela época e vi. Se eu tivesse cabelo para tal, teria sido descabelado por aquela música. Algo novo. Bem diferente dos Roques que eu ouvia. Um som puro e sincero. Assim como o clipe, feito ao vivo e sem cortes. 


5. Essa conheci jogando Tony Hawk's no saudoso palystation one. Sem comentários, senão não acabam hoje.



Vou fazer um comentário, aliás: ela instiga. Faz seu dedo do pé seguir o ritmo e quando você ver, seu corpo inteiro tá dançando involuntariamente.

6. Em 2003, eu ouvi um solo na minha tevê 14 polegadas que me fez ouvir rock quase todos os dias desde então. A culpa é dele! O gênio:


7. Em 2005 a ouvi de verdade, e venho ouvindo sempre. Em 2006 aprendi a tocar. E se eu pegar um violão, é ela que vou tocar primeiro. Até fiz versões próprias pra ela. Mas estão preservadas nos meus arquivos mortos-vivos.


8.  Essa achei na pasta pessoal do meu irmão, totalmente sem querer. Tinha uns 11 anos. Pra não dizer que só posto o que ainda ouço. Todavia, a banda é um marco.


9.  Com 12 anos, eu comecei a escutar um novo Roque. Coisas da pré-adolescência. Conheci o melhor baterista do mundo. Foi pra mim a melhor banda do mundo por dois anos. O album St. Anger ficou gasto lá em casa. Fui "fã". Algo raro.


10. Não é pela banda em si. É pela melhor introdução de música de todos os tempos (meu pensamento em 2000). E pela melhor história de todas aqui contadas. Com 10 anos, eu e mais 3 amigos brincávamos de Beatles - acredite - com aquelas guitarrinhas unplugged que todo mundo teve. Eu era o John e, mesmo assim, eu "fazia" o solo. Nostalgia. Não me tornei um rockstar, mas fui um rockdreamer ;)



Singela homenagem ao dia do Seu Roque. Coroa, mas super em cima.

Aquele abraço


Julho.

  Até certo tempo, o mês que eu desejava ter vindo ao mundo; desde algum tempo, o mês mais aguardado do ano. Dias e dias estressantes, feriados que são atropelados e amizades que são postas à prova em uma época angustiante. Os quatros meses mais demorados do ano são março, abril, maio e junho. É fato. Até o São João, às vezes, demora de passar. Porém, eis que chega o empolgante número sete, que não pergunta se você ainda tem algo acadêmico ou do trabalho para fazer. Simplesmente se posta lá. Na sua mente, lhe dizendo que é hora de acordar, abrir os olhos da vida e enxergar.

  É quando você pode reviver. Ou rever. Ou, então, só realizar as promessas que ficaram guardadas do fim das férias ou do primeiro período de provas.

  É hora de aproveitar. Mais do que você já acreditava fazer. Com amigos que não estavam lá, no anteceder. Mergulhe. E só depois prenda a respiração. Aí você abre os olhos e solta a respiração. Dá um loop, estica as pernas... E pula! O mais alto que conseguir. Depois, corra. Dali mesmo, não importa onde. Corra. Corre, menino. Não pare enquanto não esmaecer esse ímpeto de liberdade.

   Pronto, aí você mudou seu enredo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Novembro.

Dino era magro, baixinho e míope. Lara, linda, loira e simples. Dino já gostou de Lara. Ou talvez ainda goste. Lara já gostou de Dino, mas hoje tem um alguém. Dino e Lara nunca ficaram juntos, mas sempre foram, e são, bons amigos. Dino nunca soube que Lara gostou dele. Lara nunca soube que Dino gostou dela. Dino acha que Lara não quereria alguém como ele. Lara acha Dino um homem de muitas qualidades. Dino ainda pensa em Lara. Lara ainda lembra do seu amor por Dino.

Dino hoje vive só; Lara hoje tem um amor maior.



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sábado, 21 de maio de 2011

O mistério do planeta ?


    Antes que o número 4 viesse a surgir na contagem de meses sem um post neste blog promissor, esse sujeito simpático com cara de tédio aí ao lado voltou. Voltou para uma realidade sem provas, sem Osama (?) e sem noites mal dormidas. Porém com não menos trabalho. Sim, eu não vivo só pra fazer e passar em provas. Tudo isso é irrelevante pra esse post, ou talvez, assim como a mudança de sujeito da primeira para a quarta frase. 

   Bom, vamos à informação importante que eu quero passar e discutir. Além do "aniversário" do último post, amanhã (hoje) é, para alguns religiosos, o dia do Juízo Final. Sim, pois é. Você já viu e ouviu várias histórias sobre o fim do mundo, eu sei. Mas é lógico que sempre fica aquela pulguinha dizendo: bom, que chegue logo esse dia! Pra provar que é mentira. O curioso desta nova versão de previsão do Fim é que ela marca este para amanhã, 21 de maio, em que se completariam 7 (sempre ele) mil anos do dilúvio ultrapassado por Noé. 

  O site http://aeiou.visao.pt/eles-acreditam-que-o-mundo-acaba-sabado=f603674 ainda divulga o método que fundamentou esta antevisão: 


"Camping, um engenheiro civil reformado, de 89 anos, assegura que às 18h00 de dia 21 de maio (assuma-se que se trata da hora da Califórnia, onde o movimento tem sede), 2% da população mundial "subirá" imediatamente para o "céu", enquanto os outros deverão permanecer na Terra para uma série de tormentos, até o mundo acabar definitivamente, a 21 de Outubro.


Depois de 70 anos a estudar a Bíblia, o pastor desenvolveu um sistema que usa a matemática para interpretar as profecias escondidas no livro sagrado dos cristãos. Feitas as contas, este sábado calhar precisamente 722,500 dias depois do dia 1 de Abril do dia em que Jesus Cristo terá sido crucificado, pelos cálculos de Camping. E qual é a importância do número 722,500? O pastor responde: chega-se a ele multiplicando três números sagrados (5, 10 e 17) uns pelos outros, duas vezes."

    Pois bem, amigos, poucos podem ler este possível último post. É inquietador o fato de pessoas que teoricamente dedicaram suas vidas aos  ensinamentos de Deus e tenham se preocupado de modo tão ávido com o dia do fim/início. Sim, eu sei a vontade de se passar à vida eterna, à felicidade plena e imensurável, que a vida ao lado de Deus irá proporcionar a quem nela crê. Mas seria o caso de você passar sua vida terrena inteira tentando desvendar um mistério divino? Calculando as atitudes do todo-poderoso? O pouco que conheço da Bíblia e seus ensinamentos-base não concordariam com isso, assim como ela não mencionou nenhum dia para o que, segundo ela, acontecerá: a volta de Jesus. Eu diria que Deus seria até avesso a essa atitude humana de buscar uma resposta fora da fé, coisa aliás que a ciência, em geral, sempre se propõe a fazer e, até por isso, criou uma "rivalidade" com diversas religiões e crenças.

    Eu, particularmente, acredito que este mundinho um dia virará lenda, mas não creio que esteja perto nem longe, e não vivo preocupado com isso. Por maior que seja sua fé, sua vida aqui tem muito significado e as pessoas que conhecerá aqui e as situações com ela vivenciadas podem/devem ser únicas. 

    Bom, por fim, pode ser mais uma pegadinha do Mallandro que levou esses "milhares de seguidores", o que não seria nenhuma novidade ou algo inédito, não é?! Nem me surpreenderia se o site da seita religiosa amanhecesse no domingo com uma foto de Ashton Kutcher e os dizeres "I caught you" em sua página inicial. 

   Enfim, vamos viver um bom sábado, preocupados em viver a simpatia e alegria que estão voando por aí atrás de quem queira aproveitá-las junto com quem está ao seu lado.



"Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho" 

Novos Baianos em 1973



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

E agora, João?



O silêncio acabou,
o poste apagou,
o aliado sumiu,
o ânimo esfriou,
e agora, João?
e agora, Henrique?
você que tem sobrenome,
que ia com os outros,
você que ignora protestos,
que ama enrolar
e agora, João?


Se queimou pela mulher,
nunca teve discurso,
ainda mais sozinho,
já não pode se esconder,
já não pode aparecer,
omitir já não pode,
o  eleitor esfriou,
a educação não veio,
a transparência não veio,
o Metrô não veio,
não veio a simpatia
e sua imagem acabou
e todo mundo fugiu
e aquela velha promessa mofou
e agora, João?


E agora, João?
sua falsa palavra,
seu elevador de febre,
seu longo jejum,
sua biblioteca
te fez de tolo,
seu teto de vidro,
sua incoerência,
suas contas - e agora?


Teve a chave na mão
não abriu a porta,
estragou a porta,
quis morrer no mar
na beira dele se afogou,
o Plano Urbano exaltou,
plano nenhum há mais.


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato, carneiro,
sem ideologia,
sem partido nenhum
para se encostar,
sem jegue da lavagem
nem pra te levar,
você marcha, João!
João, pra onde?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Segredos de um meio-cão.

   
   Era um dia de Março, um dia chuvoso em Salvador, daqueles em que a água chama a atenção do mundo para si. Só não chamou a atenção de Chiclete. Chiclete era um cãozinho reservado, desligado para com os outros cães e extremamente ligado aos humanos que considerava da sua família, daí vindo seu apelido. A chuva caía perpendicularmente há mais de duas horas, os estragos já eram grandes e uma tensão pairava sobre o que mais poderia acontecer se a tempestade continuasse. Andando pela Avenida ACM, perdido, o cão procurava um dos seus donos. Chegara em Salvador há dois dias, mal tinha dormido, havia apanhado de outros cães, mas também havia revidado, e não sabia exatamente a rua em que se encontrava aquele que deveria vê-lo e receber seu recado. Sabia que estava perto. Caminhava pelo canteiro central, já perto do Parque da Cidade, driblando os obstáculos que não eram assim inéditos. Tudo aquilo lhe lembrava aquele fatídico dia em que um acidente lhe transformara em cão. Mais a frente, percebeu uma nova avenida. Achou familiar. Era maior, como se fosse uma continuação daquela que lhe trouxe do lugar nenhum há alguns quilômetros dali. 

   Chiclete era um cão forte. Não era alto nem esbelto, mas era muito resistente e levava jeito para as brigas. Por várias vezes lutou contra dois, três ou mais, ao mesmo tempo. Sabia defender o que lhe interessava , e a si, com real afinco. Pode-se dizer que ele não era tão amistoso com seus semelhantes. Ou que estes sempre desgostavam dele, inexplicavelmente, no primeiro olhar. Desse histórico carregava uma característica muito peculiar. Não tinha a parte de cima que cobria  o lado direito da mandíbula. Num primeiro contato isso causava aversão, assustava, mas logo o outro lado de seu rosto revelava o instinto sincero e fiel de Chiclete com os homens. Chegando no momento em que deveria escolher um lado a seguir, ou atravessar, Chiclete olhou adiante, no alto, e viu uma grande ladeira que levava a um outro mundo, acima de todo aquele caos molhado e pertubador. Nadou pela primeira pista até o outro canteiro, depois começou a correr, correr sem saber o porquê. De repente lhe tinha vindo a sensação de que ia para o lugar certo. Atravessara o canteiro, e agora teria que nadar pela segunda pista. Foi aí que se lembrou daquele menino contente em cada dente do sorriso que levava no rosto ao receber sua bicicleta nova e boa de novo. O mesmo menino que deveria saber que ele não tinha morrido de novo.


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